Brasília - Em um recado à candidata Dilma Rousseff (PT), o tucano José Serra disse ontem que nunca manifestou posição favorável ao aborto. Ao discursar no ato que reúne a oposição em apoio à sua candidatura, Serra disse que as pessoas que mudam suas posições em temas como o aborto querem ''enrolar'' e ''desrespeitar'' os brasileiros - numa crítica à petista que, depois de ter se declarado favorável ao aborto, mudou o discurso durante a campanha.
''Eu nunca disse que o MST me agrada, porque não me agrada. Eu nunca disse que era a favor do aborto porque eu sou contra. Tem amigos que me acham atrasado. Eu tenho minhas razões íntimas, pessoais, de histórias para ter essa convicção. Erra é querer enrolar. Chegou-se ao máximo de estampar em primeira página que o PT ia tirar o aborto do programa. O que não tem direito é uma campanha presidencial enrolar. No fundo é desrespeitar pessoas, os cidadãos. Essa decepção comigo não existirá.''
Serra chegou a cometer um ato falho dizendo, primeiro, que era favorável ao aborto. Ao perceber o equívoco, mudou a fala.
Numa mudança de postura em relação ao primeiro turno das eleições, o candidato exaltou ações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em seu discurso no ato que reuniu políticos do DEM, PSDB e PPS. Com críticas ao PT, partido a quem se referiu como ''duas caras'', Serra defendeu que o Congresso aprove lei que limite a participação do presidente da República em campanhas eleitorais -a exemplo do que vem ocorrendo com o presidente Lula na campanha de Dilma Rousseff (PT) ao Palácio do Planalto.
Nas referências a FHC, Serra lembrou a privatização do setor de telecomunicações e a implantação do real. As menções ao ex-presidente são defendidas por grande parte da oposição, depois que Serra praticamente não mencionou o tucano em sua campanha no primeiro turno.

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