Serra desiste e PSDB confirma Alckmin
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terça-feira, 14 de março de 2006
Epaminondas Neto e Tathiana Barbar<br>Folhapress 
São Paulo - Após dois meses de impasse, o PSDB anunciou ontem o nome do governador Geraldo Alckmin (SP) como candidato do partido na disputa pela Presidência da República nas eleições de outubro. Alckmin disputava a indicação da legenda com José Serra (SP). O anúncio foi feito pelo presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), na sede do partido, após uma série de reuniões com integrantes da legenda. ''Quero enaltecer o desprendimento desse magnífico homem que é José Serra, que para evitar disputa interna e entendendo que o melhor para o país é seu partido chegar à Presidência e que não é possível mais ficar entregue ao PT, entendendo isso, para preservar a integridade do partido, ele deu um enorme gesto de amor ao país'', disse Tasso ao oficializar a candidatura do PSDB. ''Nosso candidato é Geraldo Alckmin.''
O triunvirato tucano - formado por Tasso, pelo governador Aécio Neves (MG), e pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - se reuniu ontem com os governadores Lúcio Alcântara (CE), Cássio Lima (PB) e Marconi Perillo (GO) num hotel da zona sul de São Paulo. Os encontros aconteceram um dia depois de Serra anunciar, pela primeira vez publicamente, a disposição de sair candidato à sucessão presidencial. Depois desse anúncio, ele se reuniu ontem à noite, por quatro horas, com Tasso, FHC e Aécio.
Ontem, antes do anúncio oficial do partido, Serra conversou com Alckmin sobre o processo de escolha do candidato do partido. Em nome da unidade partidária e para evitar a realização de prévias, Serra desistiu de sua candidatura e abriu caminho para a oficialização do nome de Alckmin como candidato do partido. Serra disse, em nota oficial, que colocou a responsabilidade política acima de sua aspiração pessoal quando decidiu apoiar a indicação de Alckmin como candidato do PSDB à Presidência. Ele afirmou que a manutenção de sua candidatura poderia levar o partido a realizar prévias, o que poderia dividir o PSDB.
Alckmin sinalizou que pretende disputar a eleição presidencial de 2006 como o candidato da ética e da eficiência. Com essas bandeiras, Alckmin sinaliza que pretende ser o ''anti-Lula'' e dessa forma conquistar votos entre os eleitores decepcionados com o governo petista. ''Não tenho dúvida que temos a firmeza necessária para empunharmos bandeira da ética, do banho de ética, da eficiência, fechando todas as torneiras, que nos permitirão avançar no projeto de desenvolvimento'', disse Alckmin em seu primeiro discurso como candidato oficial do PSDB à Presidência.
Alckmin sinalizou que sua campanha será marcada pelos ataques ao governo Lula e aos escândalos que envolveram o Palácio do Planalto no último ano. ''O Brasil não aguenta mais essa onda de corrupção que assolou o país.''
Dependendo da análise do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a validade da emenda constitucional que acaba com a verticalização, os adversários de Alckmin na eleição de outubro serão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), e o candidato do PMDB a ser escolhido nas prévias do partido, marcadas para domingo. O ex-governador e secretário licenciado do Rio, Anthony Garotinho, e o governador licenciado do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, são os pré-candidatos peemedebistas.


