Arquivo Folha‘‘Com licença’’
José Serra sai da sala após denunciar ameaças: ‘‘Mal-estar passageiro’’, explicam os assessoresO ministro da Saúde, José Serra, passou mal ontem e interrompeu uma entrevista coletiva após contar que vem recebendo ameaças de morte por telefone. Segundo assessores, as ameaças anônimas, com vozes de homens e mulheres, para os telefones das residências de Serra em São Paulo e no Rio de Janeiro começaram sábado. ‘‘Você vai ver..., repetiram ontem duas vezes. O ministro ainda não acionou a polícia. Serra foi atendido por um médico e tomou um antiácido.
Os assessores acreditam que os autores das ameaças estão ligados a interesses contrariados pela ação do ministro no Rio de Janeiro, no combate a remédios falsificados e reestruturação de hospitais federais. E atribuem as ameaças à regulamentação dos planos de saúde.
Ontem, pouco antes de se retirar da entrevista, Serra anunciou mais uma medida de reestruturação dos 14 hospitais federais do Rio de Janeiro: uma intervenção para melhorar a qualidade do atendimento e do gerenciamento. O Hospital Geral de Bonsucesso, envolvido em compras superfaturadas, é o primeiro a passar pelo exame das fundações Cesgranrio e Oswaldo Cruz e do Instituto Brasileiro de Qualidade Nuclear, contratados pelo ministro. A diretora do hospital, Selene Rendeiro, será substituída por um administrador e médico, Benedito Meireles.
Serra voltou a afirmar que pressões políticas não influenciarão nas ações contra hospitais. ‘‘A questão da saúde é séria demais para ficar sujeita às vissicitudes de políticas eleitorais’’, comentou. ‘‘Ouço dizer que tal hospital é do fulano e considero isso uma verdadeira obscenidade, um insulto à Saúde’’.
Os assessores tentaram desvincular das ameaças de morte o que classificaram de ‘‘mal-estar passageiro’’. ‘‘O ministro teve apenas uma indisposição’’, garantiu a representante do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, Ana Tereza Pereira da Silva. ‘‘Alguma comida não lhe fez bem.
O clínico Hésio Cordeiro, da Fundação Cesgranrio, que assinou um convênio com Serra, estranhou que o ministro apertasse a sobrancelha várias vezes durante a entrevista. Mas está convencido de que as ameaças não estão ‘‘aterrorizando’’ o ministro. ‘‘Ele é um homem experiente. Na coletiva, o ministro comentou não estar dando importância aos telefonemas. ‘‘É bobagem’’, desdenhou, e contou não ter pedido reforço de segurança. Segundo ele, a segurança aumentou ‘‘ene vezes zero’’, ou seja nada.
Coincidentemente foi após falar das ameaças que o ministro precisou retirar-se da sala. ‘‘Vou pedir licença um instante e já volto’’, afirmou. E não voltou. Foi atendido pelo seu chefe de gabinete, o médico Otavio Mercadante. Ele mediu a pressão de Serra que estava 12 por 8 e lhe deu um antiácido.

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