Serra defende fechamento de fronteiras
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de junho de 2002
Luciana Nunes Leal<BR>Agência Estado 
Rio - O candidato a presidente José Serra defendeu ontem, em caso extremo, o fechamento das fronteiras do Brasil com países produtores de drogas e fornecedores de armas. Para o controle do acesso de entorpecentes e armamentos, Serra defende a criação de uma guarda federal fardada para atuar e até fechar a fronteira, se for o caso. Com alguns países, eu chegaria a esse extremo. A gente sabe que, na Bolívia, qualquer um chega lá e compra arma do Exército. Li reportagens muito responsáveis a esse respeito.
Serra visitou ontem a administração municipal fluminense, onde viu os danos causados por bandidos que metralharam a fachada do edifício. E se mostrou impressionado com o terrorismo cometido pelo crime, uma tentativa de intimidação das autoridades.
O candidato reconheceu que o crime está se desenvolvendo na inteligência, na informação e na ousadia e não temos uma estrutura institucional adequada para enfrentá-lo.
Outra medida que o candidato do PSDB pretende tomar, se for eleito, é o recadastramento geral da população para que sejam recolhidas as impressões digitais de todos os cidadãos e armazenadas num sistema integrado de consulta pelas polícias do País. Há poucos anos, se fez isso com o título eleitoral e tudo funcionou bem. Podemos fazer isso com carteira de identidade para ter o controle maior.
Mas não se mostrou favorável à decretação do estado de defesa na cidade. Serra disse ter preocupação com a possibilidade de atentados como o da prefeitura carioca se repetirem. O que acontece aqui amanhã, em matéria de crime, se reproduz em São Paulo, no Sul. A ação aqui é crucial.
O candidato tucano rejeitou os argumentos de que segurança pública é assunto dos governos estaduais. Serra disse que é preciso travar uma guerra de morte contra o tráfico de drogas e de armas. O Rio de Janeiro não produz nem drogas nem armas, ela vem de fora. Tem de ter uma ação e ela é, em grande parte, do governo federal, declarou.
Para o senador do PSDB de São Paulo, o controle do governo do Rio sobre a segurança é escasso. E ainda atacou o candidato a presidente Anthony Garotinho (PSB): O problema não é de agora. Antes, se fazia maquiagem de estatística e efeitos especiais.


