Rio - O candidato a presidente José Serra defendeu ontem, em caso extremo, o fechamento das fronteiras do Brasil com países produtores de drogas e fornecedores de armas. Para o controle do acesso de entorpecentes e armamentos, Serra defende a criação de uma guarda federal fardada ‘‘para atuar e até fechar a fronteira, se for o caso’’. ‘‘Com alguns países, eu chegaria a esse extremo. A gente sabe que, na Bolívia, qualquer um chega lá e compra arma do Exército. Li reportagens muito responsáveis a esse respeito.’’
Serra visitou ontem a administração municipal fluminense, onde viu os danos causados por bandidos que metralharam a fachada do edifício. E se mostrou impressionado com o ‘‘terrorismo cometido pelo crime, uma tentativa de intimidação das autoridades’’.
O candidato reconheceu que ‘‘o crime está se desenvolvendo na inteligência, na informação e na ousadia e não temos uma estrutura institucional adequada para enfrentá-lo’’.
Outra medida que o candidato do PSDB pretende tomar, se for eleito, é o recadastramento geral da população para que sejam recolhidas as impressões digitais de todos os cidadãos e armazenadas num sistema integrado de consulta pelas polícias do País. ‘‘Há poucos anos, se fez isso com o título eleitoral e tudo funcionou bem. Podemos fazer isso com carteira de identidade para ter o controle maior.’’
Mas não se mostrou favorável à decretação do estado de defesa na cidade. Serra disse ter preocupação com a possibilidade de atentados como o da prefeitura carioca se repetirem. ‘‘O que acontece aqui amanhã, em matéria de crime, se reproduz em São Paulo, no Sul. A ação aqui é crucial.
O candidato tucano rejeitou os argumentos de que segurança pública é assunto dos governos estaduais. Serra disse que é preciso ‘‘travar uma guerra de morte contra o tráfico de drogas e de armas’’. ‘‘O Rio de Janeiro não produz nem drogas nem armas, ela vem de fora. Tem de ter uma ação e ela é, em grande parte, do governo federal’’, declarou.
Para o senador do PSDB de São Paulo, o controle do governo do Rio sobre a segurança ‘‘é escasso’’. E ainda atacou o candidato a presidente Anthony Garotinho (PSB): ‘‘O problema não é de agora. Antes, se fazia maquiagem de estatística e efeitos especiais.’’

mockup