Brasília - O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, senador José Serra (SP), afirmou ontem que a sua queda nas pesquisas ocorreu devido a alta exposição na mídia de seus adversários, principalmente do petista Luiz Inácio Lula da Silva. ‘‘Essa questão de pesquisa (eleitoral) está relacionada com horário gratuito. O Lula teve um excelente programa, muito bem dirigido. Nós estamos nos preparando porque também teremos os nossos programas. A movimentação que houve na pesquisa é parecida com a que houve a meu respeito, quando tivemos o nosso programa’’, argumentou.
Durante a inauguração da nova sede nacional do PSDB em Brasília, Serra minimizou o efeito das acusações de cobrança de propina supostamente feita pelo caixa de sua campanha ao Senado, em 1994, Ricardo Sérgio de Oliveira, durante o processo de privatização da Companhia Vale do Rio Doce. Segundo ele, as acusações não tiveram influência em seu desempenho. ‘‘Até porque eu não tenho nada a ver com o assunto.’’
Questionado sobre a declaração do presidente Fernando Henrique Cardoso, na qual afirmou que os quatro principais candidatos à sua sucessão estão com discursos coerentes em relação à área econômica, Serra disse que o PT no Congresso Nacional não reflete o que Lula fala. ‘‘Ele (Lula) é a favor da Lei de Responsabilidade Fiscal, mas o PT no Congresso vota contra e vai até o Supremo Tribunal Federal.’’
Ao deixar a nova sede do partido, Serra foi vaiado por um grupo de manifestantes. Cerca de 40 agentes da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), que trabalhavam no Rio de Janeiro e foram demitidos pelo Ministério da Saúde, gritavam palavras de ordem contra Serra. Os manifestantes cercaram o carro em que o pré-candidato deixou o comitê, portando réplicas do mosquito Aedes aegypti. Nas faixas, havia os dizeres: ‘‘Queremos trabalhar, Serra não quer deixar’’ e ‘‘Serra presidengue’’.

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