Serra critica política agrícola de Lula
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terça-feira, 04 de dezembro de 2007
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Em visita a Curitiba ontem, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), afirmou que, mesmo tendo sido apontado como o favorito à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em pesquisa do Instituto Datafolha, ainda não se considera candidato à presidência. Apesar disso, falando produtores rurais, Serra adotou um tom característico de campanha eleitoral e fez duras críticas à política agrícola do governo petista. O tucano comemorou ainda o resultado do plebiscito realizado na Venezuela, em que foram rejeitadas as mudanças constitucionais propostas pelo presidente Hugo Chávez, aliado de Lula.
Levantamento divulgado no domingo pelo Datafolha, que ouviu 11.741 eleitores em 390 municípios de 25 Estados, colocou Serra com 37% da preferência dos entrevistados para suceder Lula. Na segunda colocação ficou o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), com 18%. A pesquisa é ainda mais favorável a Serra por causa de um segundo cenário, em que o candidato do PSDB seria o governador mineiro Aécio Neves. Nesta hipótese, Neves fica apenas com a terceira colocação, com 15%, sendo que Gomes tem 27%. Apesar de se dizer satisfeito com a boa avaliação, Serra afirmou que ainda não pensa na candidatura. ''Fui eleito para ser governador de São Paulo e não para ser candidato. Não estou de olho nas eleições, ainda faltam muitos anos para chegarmos até lá'', disse.
O tom de campanha eleitoral, no entanto, pautou o discurso de Serra durante o seminário de encerramento das turmas de 2007 do Programa Empreendedor Rural, promovido pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e do qual foi um dos palestrantes. O governador fez duras críticas à política agrícola de Lula. ''Falta mais apoio em questões como política econômica nacional, defesa sanitária, pesquisa, infra-estrutura, seguro rural e segurança de propriedade. São essas questões que estão faltando para o Paraná e o resto do Brasil firmar ainda mais a sua agricultura'', disse.
Comentando as dificuldades impostas pelo Mercosul quando o Brasil tenta firmar acordos bilaterais para exportação de produtos agrícolas, Serra aproveitou para ''cutucar'' o presidente venezuelano Hugo Chávez, que viu suas propostas de mudanças constituicionais serem derrotadas em plebiscito realizado no domingo. ''Esse plebiscito fixava um rumo antidemocrático para a Venezuela. Hitler e Mussolini também faziam plebiscitos, mas na verdade era para se fazer uma Constituição autoritária. Isso é um mal exemplo para a América do Sul'', disse. O governador também foi claro ao opinar sobre uma possível entrada da Venezuela no Mercosul. ''É mais confusão. O Mercosul já não está funcionando direito e você vai introduzir mais elementos de confusão'', afirmou.
Perguntado sobre a prorrogação da CPMF e a possibilidade de os governadores tucanos influenciarem os senadores do partido a votarem em favor do imposto, Serra não quis comentar o assunto. ''A questão da CPMF a gente está falando com o pessoal do Senado. Não vim ao Paraná para ficar falando de CPMF.''


