Serra classifica denúncia de 'leviandade'
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domingo, 05 de maio de 2002
Agência Estado 
Brasília - O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, reagiu indignado à reportagem da revista Veja, publicada no final de semana, que acusa o economista e arrecadador de recursos para sua campanha ao Senado, Ricardo Sérgio de Oliveira, de cobrar propina no processo de privatização da Vale do Rio Doce. A reportagem ainda menciona uma contribuição de RS 2 milhões do empresário Carlos Jereissati, não declarada à Justiça Eleitoral.
Estou estarrecido com o tamanho da mentira e da leviandade publicadas nesta matéria, manipulando seus leitores, disse o tucano, ao desmentir a suposta doação de Jereissati em 1994. Nervoso e preocupado com os efeitos da reportagem sobre as pesquisas de intenção de voto, Serra insistiu ontem que essa história toda é uma maluquice completa, uma plantação eleitoral muito grande.
Mas a despeito da ameaça de acionar os advogados da campanha para processar quem insistir nessa calúnia, o candidato não conseguiu tranquilizar seus aliados nem tampouco calar os adversários na corrida sucessória. Enquanto o comando nacional do PFL recomenda o silêncio diante da gravidade das denúncias e ri discretamente dos apuros do tucano, o PMDB debocha nos bastidores do candidato que exige um vice inatacável, que não tenha que dar explicações. Ao mesmo tempo, o PT aproveita para cobrar esclarecimentos do candidato.
O Serra precisa parar com este comportamento de pregar investigação quando a denúncia é contra os outros e dizer que é tudo maluquice e bobagem, quando a acusação é contra o governo ou o PSDB, protestou ontem o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), que quer ouvir as explicações do candidato tucano no Congresso. Não que o PT esteja prejulgando ou acusando o adversário de Luiz Inácio Lula da Silva, esclarece Dirceu. Queremos derrotar o Serra nas urnas, e não no tapetão, resume o vice-líder do partido na Câmara, Walter Pinheiro (BA).
Mas que fique claro que a oposição não tem a menor intenção de dar sossego ao governo, ao PSDB e ao candidato tucano. E o Palácio do Planalto sabe disso. Tanto que um importante colaborador do presidente Fernando Henrique Cardoso reconhece que a reportagem coloca governo, partido e candidato sob suspeição


