O candidato à Presidência da República José Serra (PSDB) atribui ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o aumento da violência na reta final da campanha no segundo turno da eleição. A declaração foi feita ontem à tarde durante visita a Maringá, onde o tucano permaneceu por pouco mais de duas horas. ''A atitude do presidente de se jogar de corpo e alma no processo eleitoral, em vez de governar o País, só contribui para o aumento da violência. O presidente está tratando o adversário (político) como um inimigo que deve ser excluído'', afirmou.
Serra disse que seus opositores estão usando pessoas especializadas em atos de repressão para praticar atos de violência, a exemplo do que aconteceu quarta-feira no Rio de Janeiro. ''Esta é a maior campanha de mentira que já vi. Eles são profissionais da mentira e da violência, mas nós não vamos nos intimidar e nem reproduzir o que eles fazem.''
O candidato do PSDB reafirmou que sua família vem sofrendo ataques ''através de folhetos clandestinos''. ''Eu nunca vi tanta baixaria em uma campanha, com ataques a famílias de candidatos como eles fazem. Daqui a pouco vão dizer que meu neto puxou a orelha de um colega na escola'', criticou.
Após desembarcar no aeroporto de Maringá pouco depois das 13h30 - cerca de 1h30 de atraso -, Serra conversou rapidamente com os jornalistas e seguiu para a Associação Cocamar, onde teve um rápido encontro reservado com líderes de cooperativas do Paraná. Lá fez um discurso de menos de 15 minutos. Prometeu incentivar o cooperativismo e corrigir distorções na distribuição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), como aconteceu nos últimos dois anos, segundo ele. Demonstrando visível cansaço, o candidato se perdeu pelo menos duas vezes no curto discurso. A primeira quando se referia de forma crítica ao MST. ''O MST pode ser livre para pegar suas terras, mas não para pegar dinheiro ao governo'', afirmou. Segundo ele, daqui a pouco vão criar também ''os movimentos dos sem-indústria, dos sem-hotel''. A segunda foi quando se referiu ao senador Alvaro Dias (PSDB), a quem tentou procurar entre os presentes. O detalhe é que o senador estava ao lado de Serra.
O governador eleito do Paraná, Beto Richa (PSDB), participou da visita de Serra a Maringá. Ele disse que sua vitória só estará completa quando Serra for eleito presidente da República. No Paraná, ele acredita que Serra deverá ter uma votação maior que no primeiro turno, com uma diferença entre 1 milhão a 1,5 milhão de votos. A visita de Serra terminou com uma rápida carreata no centro de Maringá. De lá, ele seguiu para Ponta Grossa.

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