Serra assume PSDB com críticas ao PT
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sábado, 22 de novembro de 2003
Agência Folha 
Brasília - Ao assumir ontem a presidência nacional do PSDB, o ex-senador, ex-ministro da Saúde e candidato derrotado a presidente em 2002 José Serra bateu no governo Luiz Inácio Lula da Silva de forma dura, com críticas que vão da política econômica ao recente episódio da suspensão do pagamento de aposentadorias para idosos com mais de 90 anos. ''Ficou claro até agora que existe no Brasil um projeto de poder, mas não existe um projeto de governo'', afirmou Serra. ''Não há um programa de governo coerente, para o bem ou para o mal.''
O discurso de 45 minutos foi feito a uma platéia repleta de tucanos de alta plumagem - como os governadores Geraldo Alckmin (SP) e Aécio Neves (MG), além de senadores, deputados federais e estaduais. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) não compareceu, mas enviou uma carta se dizendo confiante na gestão de Serra. A chapa única, encabeçada por Serra, obteve 356 votos sim, sete não e sete abstenções. Ele terá uma mandato de dois anos.
O tucano separou seu discurso em sete tópicos, todos críticos ao governo Lula, que classificou como sendo formado por ''atores que vagam pelo palco à procura de um enredo''. Em cada parte, um foco de ataque à atual gestão.
Serra disse haver no PT de hoje a pregação de um ''bolchevismo sem utopia'' -em referência aos bolcheviques, que comandaram a Revolução Russa (1917). Para ele, os petistas deixaram de lado a ''melhor coisa do comunismo'', a utopia.
O tucano lembrou também a recente saída do deputado federal Fernando Gabeira do PT. Na ocasião, Gabeira disse ter sonhado o sonho errado em relação ao governo Lula. ''Hoje, começamos a ver pessoas que seguiram outros caminhos na política pergutarem se não ''sonharam o sonho errado' nestes anos. Nós podemos dizer, sem arrogância, mas com convicção: continuamos sonhando o sonho certo'', afirmou.
A forte atuação do publicitário da campanha de Lula, Duda Mendonça, nas ações do governo também foi atacada, de forma indireta, por Serra. ''Nunca jogamos com as esperanças populares, sempre evitamos transformar esperanças em ilusões'', disse.
Serra garantiu uma oposição séria ao governo Lula. ''Não estamos fazendo, não fazemos e não faremos uma oposição do tipo quanto pior para o país, e para o povo, melhor para o partido'', prometeu. ''Rompemos com o paradigma que o PT estabeleceu no passado para o papel de oposição, do quanto pior, melhor'', disse.


