Após a repercussão negativa da nota veiculada pelo Ministério da Saúde, o ministro José Serra anunciou ontem uma economia de cerca R$ 659,35 milhões no setor, entre 1998 e 1999. Desse total, Serra diz ter evitado este ano o gasto de R$ 400 milhões. O restante será alcançado com adoção ainda este ano de uma série de medidas. O ministro anunciou enxugamento da máquina. Os 26 escritórios regionais do ministério no Estado serão extintos e cerca de 4 mil funcionários do ministério nos Estados serão colocados à disposição do Ministério da Administração e dos governos estaduais. Ao anunciar as medidas, o ministro disse que essas economias mostram ser ‘‘necessário tapar os ralos por onde escoam os dinheiro público’’. A adoção dessas medidas, segundo ele, ‘‘corroboram a tese do presidente Fernando Henrique Cardoso de que a má gestão na saúde, em especial o desperdício, e a falta de uma administração consciente, leva a gastos exagerados’’.
Com o fim dos escritórios regionais, o governo espera alcançar uma economia anual de R$ 28 milhões, obtidos com racionalização no uso de prédios públicos, reduzindo à metade os gastos com água, luz e vigilância. Os servidores à disposição do Ministério vão gerar uma economia de R$ 31 milhões anuais, segundo cálculos dos técnicos do ministério.
Saída José Serra, negou ontem que esteja demissionário do cargo. Ele classificou como ‘‘alvoroço injustificável’’ a repercussão da nota da assessoria econômica do ministério afirmando que a arrecadação da CPMF não beneficiou a saúde. ‘‘É apenas uma nota técnica, sem conotação política, e não se trata de um manifesto’’, afirmou Serra, que acusou a oposição de explorar o documento. Serra classificou o rumor de sua demissão como ‘‘folclore’’. O ministro disse ter conversado com o presidente Fernando Henrique Cardoso e negou que o episódio tenha afetado a relação entre eles.
Apesar de negar uma leitura política da nota, o ministro confirmou todos os dados contidos. ‘‘Os números são verdadeiros’’, disse. ‘‘São importantes para localizar bem qual é o problema’’.
Segundo Serra, a nota foi preparada para ser encaminhada à reunião de ontem do Conselho Nacional de Saúde, já que ele não estaria presente no encontro. ‘‘O alvoroço não se justifica porque a nota contém dados conhecidos, até já publicados pela imprensa’’, afirmou.
Demissão As relações entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro da Saúde, José Serra, estão estremecidas. Fernando Henrique ficou irritado com a nota do Ministério da Saúde apontando queda no investimento em saúde nos últimos quatro anos e reclamando da CPMF. O presidente chegou a pensar em demitir o ministro, segundo interlocutores, mas desistiu da idéia após conversar com Serra, por telefone, na hora do almoço.
Serra garantiu a Fernando Henrique que daria novas declarações à imprensa, mudando o seu discurso e garantindo apoio à política de ajuste fiscal do governo, definida pelo presidente. Antes de receber as explicações de Serra, Fernando Henrique demonstrou sua irritação em conversa com o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães, que o acompanhou na cerimônia de comemoração do dia da cultura, no Planalto.

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