Serra admite entrar em prévias do PSDB
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sábado, 25 de fevereiro de 2012
Catia Seabra e Daniela Lima <br> Folhapress 
Brasília - O ex-governador José Serra decidiu entrar na corrida à Prefeitura de São Paulo e admite a possibilidade de se inscrever nas prévias convocadas pelo PSDB para definir o candidato do partido. A decisão foi tomada após meses de indefinição que paralisaram o maior partido de oposição do país, que teme perder para o PT nas eleições deste ano a hegemonia política que tem em São Paulo.
O governador Geraldo Alckmin e o prefeito Gilberto Kassab (PSD) se reuniram na sexta-feira à noite com o ex-governador em sua casa para discutir os detalhes do lançamento de sua candidatura. Serra não quer que as prévias convocadas pelo partido sejam canceladas, para evitar o desgaste político que sofreria se fosse indicado candidato passando por cima do processo definido pelo PSDB.
As prévias estão marcadas para o dia 4, daqui a uma semana. Uma das possibilidades em estudo é o adiamento da disputa interna, para que Serra tenha tempo de entrar no processo partidário.
Quatro candidatos estão inscritos para participar das prévias do PSDB: os secretários estaduais de Cultura, Andrea Matarazzo, Meio Ambiente, Bruno Covas, e Energia, José Aníbal, e o deputado federal Ricardo Tripoli.
Alckmin chamou na sexta-feira os pré-candidatos para conversar sobre o novo cenário. Aliados do governador acreditam que Matarazzo e Covas devem desistir da disputa. Aníbal e Tripoli têm dito que estão dispostos a manter suas candidaturas até o fim.
Na noite de sexta-feira, Serra disse a Alckmin que as prévias ''devem ser respeitadas'' e se mostrou ''receptivo'' à ideia de entrar na disputa, segundo pessoas familiarizadas com as negociações.
No encontro de anteontem com Alckmin e Kassab, Serra confirmou a disposição de se candidatar e deixou claro que prefere disputar as prévias. Serra, que no início do ano dizia não ter interesse em concorrer, mudou de rumo depois que Kassab começou a negociar seu apoio ao ex-ministro da Educação Fernando Haddad, do PT.
Serra queria ficar livre até as eleições de 2014 para se lançar mais uma vez à Presidência da República, mas seu espaço no partido diminuiu muito desde sua derrota para a presidente Dilma Roussef na eleição de 2010.
Mas a aproximação de Kassab com os petistas ameaçava deixar os tucanos isolados em São Paulo e por isso Alckmin e outros líderes do PSDB passaram a trabalhar para convencer Serra a disputar a prefeitura.
Serra foi prefeito de São Paulo de 2005 a 2006, quando entregou o cargo a Kassab, que era seu vice, e deixou a administração para se candidatar a governador do Estado, embora houvesse se comprometido antes a ficar na prefeitura até o fim do mandato.
Além de um desfecho indolor para as prévias, Serra apontou a escolha do vice como mais um desafio para sua candidatura. O ex-governador disse que, ao contrário do que se cogita, Kassab reivindica, sim, a vice da chapa.
O desafio, segundo Serra, seria atrair o PSD sem afastar o DEM. Na sexta-feira, o ex-governador reuniu-se com Kassab para discutir o vice e a participação do prefeito na sua provável campanha.
Procurado, Kassab confirmou que não abriu mão da vice, mas disse que, neste momento ''o importante é garantir a vitória do Serra''. O nome preferido do prefeito para vice é Alexandre Schneider, secretário da Educação.


