Curitiba - O secretário estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, afirmou ontem que não há mais dúvidas de que os sorteios do telebingo Totobola eram fraudados, permitindo a manipulação dos resultados pela empresa Kolmac, responsável pela realização do jogo. As investigações sobre as irregularidades, de acordo com ele, vão se estender também aos ex-representantes do Serviço de Loterias do Paraná (Serlopar), que fecharam o contrato com a Kolmac, permitindo o jogo no Estado.
De acordo com Delazari, pesquisa nas documentações do Serlopar mostraram que o contrato do Totobola foi feito de modo questionável. ''Eles trouxeram o jogo para o Paraná de modo absurdo, fecharam o negócio em um mês sem nenhum procedimento de licitação'', disse. Nas atas de reuniões da direção do Serlopar, o nome da Kolmac apareceria pela primeira vez em 1º de abril de 2002, sendo que na ata de 1º de maio o telebingo já estaria contratado e funcionando.
''No Rio Grande do Sul as investigações mostraram que Mário Charles (dono da Kolmac) subornou o presidente da loteria estadual de lá com R$ 3 milhões para operar lá. Temos indícios, pela celeridade com o contrato foi feito e ausência de licitação, de que o mesmo tenha ocorrido no Paraná'', declarou Delazari. O contrato, assinado entre Serlopar e Kolmac previa a exploração do jogo por cinco anos e R$ 10 milhões de multa em caso de rescisão por uma das partes. O secretário descartou a possibilidade de o Estado ter que arcar com esse ônus, uma vez que o jogo encontra-se suspenso, desde o dia 19, por motivo de investigação criminal.
O laudo de exame da máquina bingueira do Totobola, feito por peritos do Instituto de Criminalística do Estado e divulgado ontem, veio reforçar o parecer já apresentado por técnicos da Companhia de Informática do Paraná (Celepar), que afirmava a possibilidade de fraude. O sistema usado para os sorteios funcionava com uma máquina bingueira acoplado a um sistema de computação.
O laudo descreve o funcionamento da bingueira. As bolas são marcadas com código de barras. Antes de serem sorteadas, uma turbina de ar lança as bolas para cima, fazendo com que entrem em um compartimento fechado. Nesse local, sem acesso visual, existe um leitor de códigos que identifica as bolas e simultaneamente envia a informação para o computador. Desse modo, as bolas podem ser selecionadas previamente de acordo com os números pretendidos para sorteio.
''Era uma fraude absoluta, um bingo montado por uma empresa particular que permitia manipulação total e absoluta, o que vai ficar mais evidente depois que analisarmos o software'', disse o secretário.
Na tarde de ontem, o delegado do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), Sérgio Cirino, responsável pelas investigações, de posse do mandado judicial de busca e apreensão expedido pelo juiz Pedro Corat, da Vara de Inquéritos Policiais, determinou o recolhimento da máquina do Totobola que estava na empresa de vídeo onde eram feitas as gravações do sorteio. O equipamento foi levado para o Instituto de Criminalística. A perícia no software que comandava a bingueira vai poder comprovar se o sorteio era ou não manipulado.
Além do Paraná, a Kolmac mantém o Totobola em Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Apenas no último Estado não foi constatada irregularidade e o jogo continua. O proprietário da empresa, o argentino Mário Alberto Chaves, deve depor hoje, às 9h30, no Nurce. Esta é a sua segunda convocação e, caso não compareça, da próxima vez será acionada ajuda policial para garantir sua presença. A Secretaria de Estado da Segurança Pública informou que o depoimento estava confirmado para hoje.
Até agora o Nurce ouviu seis dos 12 depoimentos previstos, entre funcionários do Totobola e da empresa responsável por realizar auditorias no sistema, a Audiacto Auditores Independentes. A polícia também tem uma lista de 550 ganhadores, que também devem ser ouvidos no processo. Segundo Delazari, a investigação abrange desde os termos de contrato com o Serlopar, feito sem licitação, até suspeitas de corrupção, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.

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