Curitiba - O presidente do Serlopar, Mário Lobo, reconheceu ontem que o órgão não possui uma estrutura suficiente para coibir fraudes como a supostamente realizada no Totobola, na qual um programa de computador suspostamente escolhia a bola a ser sorteada. ''O Serlopar sofreu um enxugamento de quadros, fruto da política do governo passado que delegou as loterias a órgãos terceirizados. Caso tivéssemos recebido a denúncia, poderíamos ter agido, mas sem isso a nossa atuação seria praticamente impossível'', destacou Lobo.
Como todo jogo de azar, o Totobola está vinculado ao Serlopar e paga uma taxa para atuar no Estado. Segundo Lobo, a taxa é de 2,1% da arrecadação total, variando de R$ 40 mil a 50 mil mensais. Cerca de R$ 100 mil eram destinados ao financiamento de iniciativas sociais do governo do Estado. A média de arrecadação mensal do Totobola era de R$ 2 milhões, com 65% desse valor teoricamente destinado a premiação e o restante dividido entre publicidade, revendedores e a empresa organizadora.
Segundo Lobo, existe a possibilidade do governador Roberto Requião (PMDB) extinguir o Serlopar, embora o episódio do Totobola não influa nessa decisão. ''O que temos é uma autarquia que até consegue se manter financeiramente por mais alguns anos, aplicando seus recursos no mercado financeiro. O que ocorre é que essa não é a função do Estado, conforme o governador já apontou recentemente. Então estamos elaborando um relatório para enviar ao governador, que, é sabido, não simpatiza com jogos de azar'', explicou Lobo.
O relatório deve abranger estudos sobre a viabilidade de uma loteria estadual aos moldes da loteria federal da Caixa Econômica. Essa alternativa foi defendida por Requião, que é contra os jogos explorados por empresas terceirizadas. ''Preliminarmente, os estudos apontam que seria uma alternativa cara, devido ao sistema de distribuição e emissão de bilhetes. Mas os resultados ainda não estão prontos'', explicou Lobo. (R.S.)

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