Sérgio Souza diz que disputará vaga na Câmara
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terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - De saída do Senado após dois anos e meio ocupando a cadeira da ministra Gleisi Hoffmann (PT), o suplente em exercício Sérgio Souza (PMDB) se prepara para concorrer a uma vaga na Câmara Federal. Conforme a lei eleitoral, a petista, que é pré-candidata à sucessão do governador Beto Richa (PSDB), precisa deixar a Casa Civil até seis meses antes das eleições de outubro. No entanto, a expectativa é que ela retorne ao Congresso já no início de fevereiro, logo depois da reforma ministerial a ser promovida pela presidente Dilma Rousseff (PT).
Afilhado político do ex-governador Orlando Pessuti (PMDB), a quem promete apoiar na disputa pela indicação do partido à corrida ao Palácio Iguaçu, Souza disse que pesam a seu favor o histórico de atuação em defesa das "causas do Paraná" e a visibilidade que ganhou ao assumir o cargo em Brasília. No período como senador, ele apresentou seis propostas de emenda à Constituição (PECs) e 26 projetos de lei, além de percorrer mais de 250 municípios de dentro e fora do Estado, para "ficar mais perto das bases".
"É muito comum as pessoas me abordarem nos comércios, nas ruas mesmo, e me cumprimentarem. Isso era algo totalmente inexistente há dois anos e meio", afirmou.
De acordo com o parlamentar, seu maior legado no Senado foi a relatoria da Emenda Constitucional de número 76, que acabou com votações secretas para cassações de mandato e análise de vetos presidenciais no Congresso. "Os caciques do meu e dos outros partidos, independentemente se forem ligados ao governo ou à oposição, agora terão de tirar a máscara para votar. Os representantes vão olhar a forma como eles agem, seja para cassar um colega, seja para aprovar ou rejeitar um veto".
O peemedebista citou ainda os trabalhos para aprovação da PEC 103/2011, modificando os critérios de distribuição do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na internet, e para a criação da frente parlamentar em defesa dos Tribunais Regionais Federais (TRFs), além das reuniões de mediação entre membros do governo federal e das administrações estadual e municipais.
Já em relação à maior frustração, Sérgio Souza lamentou justamente não ver o TRF instalado no Paraná. "Eu tenho toda uma admiração pelo Joaquim Barbosa (presidente do Supremo Tribunal Federal), mas espero de um juiz sempre a imparcialidade, e ele tem um lado: é contra a ampliação dos tribunais; se manifestou na imprensa nacional de forma equivocada, falando em valores absurdos, dez, vinte vezes maiores do que os reais; disse que os TRFs custariam R$ 8 bilhões. Nem toda a Justiça do Brasil custa isso", criticou. "Segundo ele (Barbosa), haveria um gigantismo da Justiça, enquanto o que ocorre hoje é um gigantismo da injustiça. Muitos processos estão parados, e 85% deles são de concessões ou revisões de aposentadorias dos brasileiros", completou.
Polêmicas
Na entrevista à FOLHA, o senador também comentou algumas das polêmicas em que se envolveu desde a posse, em 14 de junho de 2011. A mais recente delas foi a apresentação de uma emenda, no dia 3 de dezembro do ano passado, que adiou a votação da PEC 57A/1999, conhecida como PEC do Trabalho Escravo. Conforme a alteração, o termo "trabalho escravo" terá de ser definido em uma lei complementar. Com isso, a matéria teve de retornar para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na época, o senador Roberto Requião (PMDB) chegou a dizer que seu colega de partido estava "embaraçando" a aprovação da PEC. "Dilma, isto é vandalismo, não é?", escreveu em sua conta na rede social Twitter.
"Sou contra trabalho escravo. Não cabe mais isso em nenhum lugar do mundo, é desumano. Agora, o que é trabalho análogo à escravidão? O campo de discernimento para interpretar isso é muito grande. Se não definirmos em lei, podem chegar durante uma safra e denunciar que o cara levanta de madrugada, coloca as pessoas para colher e termina na hora que dá; de acordo com a umidade, as condições do clima", defendeu-se o suplente de Gleisi.
Já sobre o fato de ter sido, em 2013, o senador paranaense que mais se utilizou das verbas de ressarcimento R$ 332 mil, contra R$ 325 de Requião e R$ 106,6 mil de Alvaro Dias (PSDB), somados os 12 meses do ano -, Sérgio Souza justificou-se dizendo que os recursos são, na verdade, insuficientes para custear o trabalho que desenvolve. Regulamentada em junho de 2011, a cota inclui, além dos R$ 15 mil devolvidos mensalmente aos políticos, o valor relativo a cinco passagens aéreas ida e volta da capital do Estado de origem do parlamentar à capital federal.
"Eu sou aquele que vai e volta a Brasília toda a semana; o Alvaro e o Requião não fazem isso; não vão às bases como eu vou. É só olhar os sites deles. Eu tenho uma assessoria para dar uma atenção toda especial a prefeitos, a instituições, para entender as realidades e necessidades da sociedade. Se você perguntar para as entidades comerciais quem é o senador que mais representa o Paraná, terá isso muito claro", argumentou.


