São Paulo - A CPI do Banespa espera ouvir hoje, às 10h, na Assembléia Legislativa de São Paulo, os empresários Ricardo Sérgio de Oliveira e Gregorio Marin Preciado sobre possíveis atos irregulares praticados durante o processo de privatização do banco.
Ricardo Sérgio é ex-diretor do Banco do Brasil e ex-tesoureiro de campanhas dos tucanos José Serra e Fernando Henrique Cardoso. Marin foi membro do Conselho de Administração do Banespa, de 1983 a 1987, e teve um terreno em sociedade com Serra, que é seu contraparente, em São Paulo.
A CPI do Banespa, instalada no ano passado, tem como objetivo proposto investigar a má gestão na instituição, que culminou com a intervenção federal em 31 de dezembro de 1994. Assim que a comissão foi criada, o governo mobilizou sua base no Congresso para tentar esvaziar a CPI. A comissão não foi desfeita, mas até agora não apresentou nenhum fato concreto de irregularidade.
Ricardo Sérgio foi convidado, também ontem, a prestar depoimento ao Congresso Nacional, ao lado de Benjamin Steinbruch, sobre o processo de privatização da Companhia Vale do Rio Doce. O empresário deverá dar preferência à CPI do Banespa, para a qual foi convocado - intimação formal para comparecer.
Foram convocados ainda a depor em São Paulo as seguintes pessoas: Vidal dos Santos Rodrigues, Antonio Diamantino Rodrigues, Roberto Visneviski e Ronaldo de Souza - eles são sócios de Ricardo Sérgio em empresas particulares.
A CPI do Banespa quer saber ainda se investidores tiveram acesso a informações privilegiadas ao adquirem ações do banco.
A reunião da comissão será realizada em São Paulo, e não em Brasília, que é a sede da CPI, porque a maior parte das testemunhas vive no Estado paulista.
No final da tarde de ontem, por orientação do governo, o deputado federal Júlio Semeghini (SP) apresentou uma questão de ordem propondo a derrubada dos depoimentos. ‘‘Espero que derrubem’’, disse o líder do PSDB na Câmara, Jutahy Magalhães (BA), um dos principais defensores da candidatura de José Serra dentro do partido. ‘‘As convocações não se referiam ao objeto da CPI do Banespa’’, disse o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP).
Até o começo da noite, a questão de ordem ainda não havia sido definida pela Mesa da Câmara, mas a decisão a favor do governo era dada como certa.

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