Curitiba - A Associação dos Juízes Federais (Ajufe) encaminha nesta semana uma lista tríplice de magistrados à presidente da República, Dilma Rousseff, a título de sugestão, para a vaga deixada pelo ministro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal (STF). A lista é encabeçada por um juiz paranaense, Sérgio Fernando Moro, que hoje está à frente das ações penais referentes à Operação Lava Jato, de repercussão nacional. Entre outros casos relevantes, Moro também atuou no passado no caso Banestado. A Constituição prevê que cabe ao presidente fazer a escolha de ministro para a Suprema Corte.
Os três nomes são escolhidos a partir de uma consulta interna. Na eleição da Ajufe, votaram 362 magistrados, sendo que cada um pode votar em até três nomes. Moro, que é juiz federal da 13ª Vara Criminal Federal em Curitiba, ficou em primeiro lugar, com 141 votos. Em segundo, o desembargador Fausto Martin De Sanctis, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), com jurisdição em São Paulo e Mato Grosso do Sul, com 134 votos; e o desembargador Leandro Paulsen, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), com jurisdição no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, com 123 votos.
O presidente da Ajufe, Antônio César Bochenek, explicou que todos os candidatos têm ampla experiência. Bochenek explica que Dilma também deve analisar possíveis candidatos apresentados pela Justiça do Trabalho, pelo Ministério Público e outros órgãos. "A presidente vai analisar todas as opções, e nós contribuímos para este processo. Entretanto, nenhuma decisão deve ser tomada antes do final das eleições", sinalizou.
Sobre a escolha da Ajufe, Moro disse por meio de nota que "nem remotamente" estava em campanha para o cargo e que a escolha dos pares já é "gratificação suficiente". "Sempre defendi um papel mais ativo para a sociedade civil na seleção de ministros do Supremo Tribunal Federal. Essas escolhas, independentemente da qualidade dos ungidos, não devem, pelo impacto na vida de todos, ficar restritas às discussões palacianas. Seguindo esse princípio, após o convite da Ajufe e apesar de relutar, disponibilizei meu nome para a realização da consulta entre os magistrados federais. (…) Desejo que a Presidente faça a sua escolha com sabedoria e que saiba ouvir a sociedade civil, não só a Ajufe, mas também outras organizações que possam contribuir com a seleção", escreveu Moro.

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