Imagem ilustrativa da imagem Sérgio Moro defende medidas anticorrupção e é criticado por petistas
| Foto: José Cruz/Agência Brasil
"Sou juiz. Minha carreira é da magistratura e não pretendo sair", respondeu Sérgio Moro ao ser questionado se seria candidato a cargo público



Brasília - Presente à Câmara nessa quinta-feira (4) de manhã para falar do pacote contra a corrupção enviado ao Congresso pelo Ministério Público, o juiz Sérgio Moro, além de ter enfrentado algumas vaias em meio às palmas com as quais foi recebido, foi confrontado por petistas durante a audiência pública da qual participou. Moro foi o primeiro convidado da comissão especial criada para discutir as medidas contra a corrupção. Além de analisar as dez medidas propostas pelo MP, de iniciativa popular que chegou à Casa em março, o colegiado vai analisar outros projetos que tramitam na Câmara, entre eles, alguns dos pacotes anticorrupção da presidente afastada Dilma Rousseff lançados em resposta às manifestações populares.

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) fez um dos ataques mais contundentes a Moro. Criticou o que chamou de "seletividade" e falou, ainda, em "abuso de autoridade", mencionando indiretamente a gravação de conversas entre a presidente afastada Dilma Rousseff, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vazaram em março deste ano. O áudio sugere que a petista tentou agir para evitar a prisão do padrinho político.

Wadih Damous (PT-RJ), um dos principais defensores de Dilma na Câmara, falou que se vive "em tempos de juízes celebridades, procuradores celebridades", numa crítica indireta a Moro.

Moro não se indispôs com os deputados. A Paulo Pimenta, disse apenas que não responderia sobre "casos concretos". Já ao parlamentar do Rio somente reiterou apoio ao pacote do Ministério Público e disse esperar ter o respaldo da Câmara na discussão.

CORRUPÇÃO
O juiz elogiou o pacote do MP e fez sugestões a alguns pontos específicos. Em uma primeira avaliação, o juiz disse que, até o momento o Poder Judiciário era "uma voz sozinha no deserto", mas que o trabalho da Câmara para analisar as medidas de combate a corrupção geram uma "esperança".
"Víamos que as respostas desse problema estavam vindo quase exclusivamente do Poder Judiciário, que era uma voz sozinha no deserto e nos perguntávamos: onde está o Congresso? Onde está o Executivo? E nos dá muita esperança o Congresso respondendo a esse anseio da sociedade para que minoremos esse problema."

O juiz afirmou que o "perturbou" a forma com que os envolvidos na Operação Lava Jato encaravam os ilícitos nos quais se envolviam, conforme ele, com "naturalidade", porque era a "regra do jogo".

Também defendeu o teste de integridade de agentes públicos, desde que haja uma suspeita prévia. Para ele, é preciso evitar que o Estado haja para criar criminosos e não impedi-los. A ação propõe simular situações, sem o conhecimento do empregado, para testar sua moral e predisposição a cometer crimes.

Por fim, questionado, Moro negou qualquer chance de ser candidato a um cargo público. "Sou juiz. Minha carreira é da magistratura e não pretendo sair", disse, ao que foi prontamente interrompido e novamente interrogado, dessa vez sobre uma possibilidade de se tornar ministro do Supremo Tribunal Federal.
"Não existe vaga no STF. São especulações que não me favorecem", respondeu.

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