Sereno admite que recebeu Valério na Casa Civil
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terça-feira, 23 de agosto de 2005
Agência Estado 
Brasília - O ex-assessor especial da Casa Civil Marcelo Sereno negou ontem, em depoimento à CPI dos Bingos, que tratasse de quaisquer assuntos políticos enquanto estava no governo. Mas pouco depois admitiu que recebeu o empresário Marcos Valério - acusado de ser o operador do ''mensalão'' - duas ou três vezes na Casa Civil para tratar de campanhas políticas. A contradição chamou a atenção dos senadores e Sereno chegou a dizer que saiu do governo, em maio de 2004, para ter mais liberdade para tratar das campanhas do PT.
Primeiro, Sereno - que admitiu ser homem de confiança do seu então chefe, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu - disse que nunca havia tratado de política na Casa Civil e sua função limitava-se a encaminhar para os ministérios e estatais os nomes indicados por partidos. Mas, ao ser perguntado se conhecia Marcos Valério, confirmou tê-lo recebido na Casa Civil. ''Ele tinha - ou tem - uma empresa com a qual queria entrar na área de marketing político e nós conversamos sobre isso. Ele sabia da minha influência na política do Rio de Janeiro e queria entrar nesse mercado'', contou. ''De fato, ele terminou por fazer a campanha do PT em Petrópolis'', informou, dando a entender que o contrato aconteceu por sua influência.
Ao responder à mesma pergunta pela segunda vez, Sereno admitiu também que ''pode ter almoçado'' com Marcos Valério. Ao falar sobre as conversas, disse que não se tratou de valores ou campanhas específicas, mas de conversas ''genéricas sobre política''. Sereno disse ainda que conheceu Marcos Valério no PT em São Paulo, em um café no mezanino da sede nacional do partido e que depois disso havia almoçado com o publicitário. Mas negou ter conhecimento de que Valério havia emprestado dinheiro para o PT.


