Curitiba - Tal qual a "serenidade" com que os advogados do PT e do ex-presidente Lula o definiram após a reunião na Superintendência da Polícia Federal, no bairro Santa Cândida, a rotina seguiu o curso normal de uma típica segunda-feira em Curitiba. Na unidade da PF, segundo a assessoria de imprensa, todos os serviços oferecidos aos cidadãos foram realizados dentro da normalidade, e a segunda-feira voltou ao "status anterior ao domingo inesperado". Do lado de fora, moradores e apoiadores do ex-presidente que integram a vigília instalada próxima ao local onde Lula segue preso também continuaram com as atividades previstas, mesmo após um domingo marcado pelo inesperado por parte do Poder Judiciário.
"Estamos congelando, mas nossa espera não congelou com o recesso, em agosto esperamos que os habeas corpus da defesa do ex-presidente Lula restabeleça a Justiça neste país, já que ontem (domingo) um juiz de primeira instância rasgou nossa Constituição", avaliou a professora Eliane Bueno, dirigente estadual do PT, que participa da vigília desde que Lula foi preso em 7 de abril. Para ela e a sapateira Rosane Silva, dirigente nacional do PT, domingo deixou claro o que classificaram como "a evidente partidarização do judiciário". "Seguimos reunidos até soltarem o Lula", afirmou Rosane, dizendo que a média de pessoas mobilizadas na vigília permanece em 200.
Por manter uma rotina de visitas ao bairro Santa Cândida, a vendedora Maria Galsiane Polli, que passou o domingo e segunda na casa, afirmou que mesmo com todas as idas e vindas protagonizadas pelo judiciário sobre soltar ou deixar preso o ex-presidente, não houve perturbação na região. "Tanto os moradores como quem participa da vigília estão convivendo sem grandes problemas, mesmo ontem o clima foi tranquilo. Mas acho que ele (Lula) não vai sair tão fácil assim", comentou.
PASSAPORTE EM DIA
Dentre as pessoas que foram à PF para realizar algum serviço, havia desde quem nem acompanhou toda a reviravolta na soltura do ex-presidente até os que avaliavam com preocupação o contexto de incerteza. "Melhor deixar o passaporte em dia", disse a babá Maria José Formighieri, ao lado de uma amiga que confessou não ter acompanhado as notícias. O administrador Mauricio Ortolan, que também esperava pelo passaporte, admitiu estar desconfiado sobre os rumos do Brasil. "Enquanto não percebermos o preço alto de não se cumprir as regras, enquanto a impunidade ainda ser uma característica do país, nossa sociedade vai padecer. Espero que realmente as coisas melhores, quem tiver que ser presos, seja, mas ando pessimista com toda essa crise", resumiu.

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