A Sercomtel vai contratar uma consultoria especializada para periciar os lançamentos na conta de provisão para ''devedores duvidosos'' referentes aos últimos seis anos, ou mais. A informação foi confirmada pelo presidente da telefônica, Gabriel Ribeiro de Campos, segundo o qual a medida será necessária em função de diferenças contábeis da ordem de R$ 10 milhões - referente ao período a ser aferido - constatadas na auditoria realizada este ano no balanço divulgado em 31 de dezembro de 2006.
Se confirmada a constatação da auditoria feita pela multinacional Delloite - nos anos anteriores, era a PriceWaterHouse Coopers -, Campos admite que os valores dos balanços dos anos consultados podem sofrer alterações técnicas, por exemplo, nos déficits que foram apontados. Ou nos lucros que poderiam ter sido menores que os apontados.
De acordo com o presidente da Sercomtel, o relatório da última auditoria foi apresentado dia 9 passado aos dois acionistas da companhia - Prefeitura e, via Copel, Governo do Estado. Ambos são proprietários, respectivamente, com 55% e 45% das ações.
A diferença de saldo apontada pelos auditores, afirmou Campos, diz respeito a a lançamentos contábeis que teriam sido feitos erroneamente e referentes aos valores a receber a que a empresa teria direito. ''A última auditoria apontou essa diferença na metodologia de contabilização da provisão, ou seja, o critério utilizado nos anos anteriores para contabilizar esse recurso não estava sendo adequado'', disse, para completar que a correção no saldo, já realizada, não afeta o balanço deste ano.
Pela atual legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, uma porcentagem do saldo anual de devedores nos balanços das empresas pode ser lançada como despesa - já que é um recurso, muitas vezes, não recebido. Conforme o presidente da Sercomtel, é nesse aspecto de avaliação que a metodologia usada pelos novos auditores detectou a diferença.
Campos não precisou quanto os R$ 10 milhões - que deixariam, na prática, de pertencer à receita da empresa - representam nos déficits divulgados nos anos que passarão pela perícia. Disse ser ''cerca de R$ 30 milhões (de saldo devedor), ou mais'' o provável montante acumulado no período, mas preferiu deixar a análise para após a conclusão dos trabalhos da consultoria a ser contratada.
''Nos balanços dos anteriores com certeza essa diferença oriunda dos lançamentos contábeis errados vai afetar algo, pois é um valor que deixo de receber. Mas só a perícia especializada vai dizer como, quanto, onde e por que, exatamente, isso ocorreu'', concluiu.
No próximo dia 16, a Sercomtel publica na imprensa o balanço de 2006 onde as diferenças apontadas pela Delloite estão corrigidas. O material será levado a votação na assembléia de acionistas marcada para o dia 24 deste mês. Na véspera, dia 23, é esperado o estudo de viabilidade técnica, jurídica e financeira que pode definir a proposta da Copel pela compra de ações ou troca de comando acionário.

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