Pela segunda vez em sua história, a Sercomtel recorre a empréstimo bancário. A companhia publicou na terça-feira o edital de licitação ''que tem por objeto a contratação de instituição financeira, pública ou privada, para realização de empréstimo bancário'', no valor de R$ 5 milhões. O edital não é específico quanto à finalidade do recurso. ''Buscamos um contrato de abertura de crédito, mas não para usarmos de uma vez'', explicou o presidente Kentaro Takahara. Segundo ele, o objetivo é deixar um ''colchão financeiro para dar tranquilidade à futura gestão da empresa''. O próximo presidente, Carlos Alberto Adati, deve assumir o cargo até o final do mês.
Ao comparar a Sercomtel com as multinacionais do setor de telecomunicações, Kentaro afirmou que o valor do empréstimo é ''razoável''. O presidente lembrou que as demais empresas da área, concorrentes da Sercomtel, recorrem com frequência aos bancos. ''Para uma empresa que fatura por mês R$ 25 milhões, a possibilidade de um empréstimo de R$ 5 milhões é uma operação financeira razoável'', conforme Kentaro. O diretor financeiro, Claudemir Molina, concorda que o valor, ''vultoso para o cidadão comum, é considerado pequeno diante do fluxo de caixa da Sercomtel''. Ele informou que o edital prevê juros mensais de até 0,85% ao mês, sendo 36 meses para pagamento junto ao banco. Assim que o certame for concluído, se houver banco vencedor, o empréstimo será imediato. ''Já houve uma tentativa no passado, mas devido à burocracia comum na esfera pública, não foi concretizado'', contou Molina.
Embora defenda a estratégia de captação na rede bancária, Kentaro negou que a Sercomtel esteja no vermelho. ''Estamos com o fluxo de caixa bem apertado, mas a empresa não tem dívida alguma com bancos e temos fechadas as contas.'' Segundo Molina, ''é uma tentativa de alavancar os negócios, pois atualmente trabalhamos com o próprio orçamento''.
Kentaro explicou que não existe relação entre o balanço anual da empresa, onde estão registradas receitas menores do que despesas, e o lançamento do edital. De acordo com ele, ''o prejuízo operacional é diferente, pois nem todo o prejuízo no balanço tem reflexo no caixa''. Como exemplo de saldo negativo no balanço ele citou a deterioração de equipamentos da Sercomtel, que no último fechamento anual chegou a R$ 35 milhões.
Quanto à Copel, sócia minoritária da Prefeitura de Londrina no comando da Sercomtel, Claudemir Molina - indicado pela estatal - informou que a companhia não se opõe à iniciativa da telefônica. Questionado se não seria mais viável buscar o recurso junto a Copel, Molina não descartou essa possibilidade para o futuro. ''Este é um assunto para ser tratado pelos sócios e é possível haver essa conversa mais à frente. Hoje, com a Sercomtel em fase de transição na diretoria, preferimos a opção adotada.''

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