A Sercomtel rebateu as afirmações do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Estado do Paraná (Sinttel) de que teria havido discriminação nas demissões de 23 funcionários no último dia 14 de agosto. Em nota enviada ontem à imprensa, a empresa afirmou que "que pauta seus atos pela legalidade e não considera ato discriminatório as rescisões". Portanto, a decisão da Sercomtel, segundo a nota, obedeceu aos princípios constitucionais.
Na semana passada o Sinttel levou até o Ministério Público do Trabalho (MPT) uma denúncia sobre a suposta irregularidade, pedindo a instauração de procedimento investigatório e a recomendação para que a Sercomtel reintegre os funcionários demitidos. "Enfoca-se que a dispensa dos funcionários mais antigos e aposentados, sem qualquer parâmetro meritório ou legal, caracteriza-se ato discriminatório", diz trecho da denúncia.
O representante do sindicato e também funcionário da Sercomtel, Carlos Pelegrini, disse à reportagem que "existe um clima de tensão na empresa com a sensação de que novas demissões vão ocorrer". "Existe ainda uma sobrecarga de trabalho para os trabalhadores que ficam. Por que não começaram a reestruturação pelas diretorias e gerências que existem na empresa?", indignou-se Pelegrini. A Sercomtel tem sete diretorias e, pelo cálculo do sindicato, a redução no setor poderia trazer economia de R$ 1,5 milhão por ano.
A empresa alega que não foram somente os aposentados que tiveram seus contratos rescindidos. "Para a rescisão, foram levados em conta os seguintes critérios: empregados aposentados; empregados que estão acima do teto salarial das carreiras de nível superior e médio; e empregados com jornada de trabalho inferior a 30 horas semanais, cujo salário-hora é superior ao teto salarial das carreiras de nível médio e superior."
A FOLHA entrou em contato com o MPT em Londrina, mas a instauração de investigação ainda não está definida. Segundo a procuradora do trabalho Ignez Guimarães, foi dado um prazo de cinco dias, que vence na próxima segunda-feira, para que a Sercomtel se manifeste. Ela informou que tem até 30 dias para decidir se acata a denúncia e inicia o procedimento para investigar a empresa.
Quando confirmou os primeiros cortes de pessoal, há 15 dias, a Sercomtel revelou que a medida custaria cerca de R$ 1,8 milhão em rescisões trabalhistas e geraria economia mensal de R$ 240 mil. O valor, no entanto, seria insuficiente para o equilíbrio entre os custos e as receitas da companhia, que precisa reduzir os gastos mensais em R$ 2 milhões.

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