Além da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), também a Sercomtel mantém em seu quadro de conselheiros parentes em até terceiro grau de vereadores - com remuneração de R$ 3 mil mensais para uma reunião ordinária, a cada 30 dias, além de convocações eventuais. Conforme a reportagem apurou, estão no Conselho de Administração (CA) da telefônica a cunhada do vereador Jamil Janene (PMDB), Sara Maria de Melo, e o pai do vereador afastado Flávio Vedoato (PSC), Ademar Vedoato. Ontem, a FOLHA noticiara que, até mês passado, a Cohab tinha em seu conselho fiscal Genane Ribeiro de Souza, esposa do presidente do Legislativo, Sidney de Souza (PTB), que pediu exoneração. Já a CMTU mantém em seu CA um filho de Osvaldo Bergamin (PMDB) e um de Renato Lemes (PRB), além de um tio de Vedoato.
Entre os casos levantados, os de conselheiro da Sercomtel são os mais rentáveis: por uma reunião ordinária mensal, mais ''convocações eventuais'' que sejam necessárias, cada um dos conselheiros recebe verba de representação de R$ 3 mil - mais que o dobro dos R$ 1.128 que a esposa de Souza recebia na Cohab, e quase quatro vezes mais que os R$ 785/mês pagos aos conselheiros da CMTU. Além de Ademar Vedoato e Sara Melo, o CA da Sercomtel tem ainda um diretor da telefônica (leia texto nesta página) que acumula os rendimentos com a função, Francisco Moreno, o ex-presidente da Sociedade Rural do Paraná Edson Neme Ruiz e Denise de Fátima Gomes, esposa do deputado estadual Luiz Eduardo Cheida (PMDB). Estes dois últimos são indicações da Copel, sócia minoritária na Sercomtel com 45% das ações; os 55% restantes na sociedade são do Município. Também com verba de R$ 3 mil mensais, recebem pelo conselho fiscal da empresa Waldir Ferreira, Ubiraci D'Andréa e Carlos Eduardo Felsky, este, também indicado da estatal. Em um ano (não computado, portanto, 13º salário), cada conselheiro custa aos cofres da Sercomtel R$ 36 mil - o CA, R$ 180 mil; o conselho fiscal, R$ 108 mil. As informações foram confirmadas pela própria empresa.
Irritado quando abordado sobre a cunhada, Jamil Janene disse que não daria entrevista ''sobre assunto vencido'' - referência ao fato de ele já o ter comentado em outras oportunidades, à imprensa. ''Além do mais, não tenho por que dar entrevista sobre a vida de uma pessoa com quem não tenho nada a ver - se eu tenho uma cunhada na Sercomtel, isso tem que ser perguntado ao Nedson, ele que é amigo do meu irmão'', encerrou.
Flávio Vedoato, por sua vez, alegou que seu pai teria sido convidado pelo prefeito a assumir a função, no atual mandato. Perguntado se o pai teria
experiência na área de telefonia, respondeu: ''Não, mas é comerciante e tem bastante conhecimento na área administrativa''. Vedoato também condira a
situação como nepotismo. ''Acho que não - se o colocasse como diretor na Câmara, aí seria'', analisou.
A Promotoria de Defesa do Patrimônio está analisando os casos, já que, em março, expediu à Prefeitura de Londrina recomendação administrativa vedando que cargos em comissão ou de natureza semelhante não fossem providos por parentes em até terceiro grau tanto de prefeito como de vice, secretários ou vereadores - o que caracterizaria nepotismo. Novamente ontem, mais uma vez via assessoria, Nedson sustentou que as indicações dos conselheiros são pessoais, dele, e seguem orientação da Procuradoria Jurídica de que ''são funções, não cargos comissionados''.

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