Há pelo menos um mês, a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) recebeu da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a análise de que é ilegal a participação majoritária da empresa na Sercomtel, da qual é sócia com 45% do bolo acionário desde 1998. A confirmação foi feita ontem pelo presidente da estatal, Rubens Ghilardi, durante debate em Londrina sobre a instalação da Usina Hidrelétrica Mauá na Bacia do Tibagi (leia à página 9). Na ocasião, o executivo ainda foi taxativo: afirmou que a consultoria solicitada mês passado ao sócio majoritário para avaliação da empresa no mercado tem, na realidade, um objetivo específico. ''É para saber o prazo de vida da empresa. Se ela continuar perdendo cliente, por exemplo, queremos ver qual o tempo que ela leva para falir.''
Sobre os eventuais impedimentos legais, Ghilardi afirmou que, a menos que a agência reguladora revise o posicionamento por ora informal, a hipótese da estadualização está de fato descartada - conforme ele adiantou à FOLHA, em entrevista, na semana passada. A proposta de venda de ações havia sido feita em abril passado pela Prefeitura de Londrina, ante a intenção propalada pelo governador Roberto Requião (PMDB), ano passado, durante o segundo turno da eleição estadual.
O presidente reafirmou que o fato de o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) integrar o corpo de acionistas da Copel e também da Telemar seria o impeditivo legal para a transação. Outro ponto que, conforme ele, a Anatel teria já comunicado, é que pela lei que regula as privatizações no setor a prioridade da venda da Sercomtel seria à empresa de telefonia dominante na região - no caso, a Brasil Telecom. ''Como a Copel não é empresa de telefonia, temos aí a segunda proibição'', disse.
Figura rara em Londrina, Ghilardi fez questão de salientar, por mais de uma ocasião, que para a Copel a Sercomtel hoje se mostra inviável, mas admitiu que o anúncio do suposto interesse do Estado em estadualizá-la foi feito à revelia de uma consulta à legislação das telecomunicações. ''Conhecemos a fundo o que prega a Aneel (agência reguladora do setor de energia), não a Anatel, especialmente no tocante à telefonia pública.'' Mesmo assim, ao ser indagado sobre eventual conotação política para o caso, desconversou. ''Quando se afirmou isso, havia interesse'', resumiu.
Repetindo o discurso da prefeitura de que há três anos a Sercomtel se mostra deficitária, o presidente da Copel atribuiu à concorrência com empresas multinacionais, mas, sobretudo, ao cidadão londrinense. Para ele, se hoje a empresa é inviável, ''é porque não tem cliente''. ''A população se diz contra a privatização, mas compra telefone de outras operadoras. Se ela quer preservar a Sercomtel como uma empresa saudável, não pode ser infiel - ou a empresa quebra.''
Se há duas semanas o prefeito Nedson Micheleti (PT) disse que tentaria convencer a Copel de vender o grupo todo, ontem, Ghilardi devolveu a rsponsabilidade ao sócio. ''Mas a empresa não é sócia majoritária - a prefeitura é que vai ter que decidir, e logo, assim como a população de Londrina.''
Entretanto, o presidente não apresentou uma 'solução' ao cliente que opta por outra empresa em função das leis de mercado - em outras palavras, pela oferta que menos pesa no bolso. ''Pensar assim é defender a inviabilidade da Sercomtel'', defendeu.
Questionado se a função de decidir que ele atribui ao cidadão pode manifestar também por meio de plebiscito, Ghilardi concordou. ''Ou por plebiscito, ou aderindo à empresa. Mas a prefeitura terá de resolver rápido o assunto'', avisou.

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