A Sercomtel S/A informou que não tinha conhecimento da habilitação de um telefone celular, efetuado com documentos roubados, conforme divulgou a Folha na terça-feira. A vítima foi o metalúrgico Paulo César do Nascimento, 31 anos, morador de Maringá, que teve os documentos roubados há cerca de dois anos. Além de habilitar um celular, os documentos do metalúrgico também foram utilizados para abrir três empresas e três contas fantasmas em uma agência do Banestado de Londrina.
‘‘A Sercomtel Celular só tomou conhecimento das alegações do Sr. Paulo Cesar Nascimento pela imprensa. A documentação da habilitação do telefone celular que está no nome dele está regular dentro da empresa, constando documentos, comprovante de residência, enfim, tudo o que se exige para a regularização’’, disse a telefônica, terça-feira, por meio da assessoria de imprensa.
Ainda segundo a Sercomtel, ocorrendo perda, furto ou extravio de documentos, seguido de habilitação de celular, a vítima poderá apresentar na empresa o boletim de ocorrência para que o nome seja retirado de protesto ou do Serasa. ‘‘A Sercomtel, por si, não tem como conferir se os usuários que aparecem na sua sede ou nas empresas autorizadas estão usando documento falso, mas quando apura, busca instaurar o inquérito policial.’’
Anteontem, no entanto, o próprio Paulo César disse que há cerca de dois meses esteve na Sercomtel, em Londrina, para tentar resolver a situação. Acabou perdendo a viagem. ‘‘Fiquei lá umas três horas, levei boletim de ocorrência da polícia e a orientação que me deram foi para que eu procurasse um advogado’’, afirmou.
O metalúrgico disse que chegou a tirar uma cópia do RG utilizado na habilitação. A cópia, segundo ele, evidenciava a falsificação do documento: a foto tinha sido trocada. ‘‘Quem me atendeu até foi muito gentil, ligava para o advogado da empresa, mas ele nem quis me atender. Então coloquei o caso na mão do advogado. Tenho três protestos em Londrina e continuo protestado.’’
Além da habilitação do celular, os documentos do metalúrgico foram utilizados para abrir as empresas ‘‘Nascimento & Empreendimentos S/C Ltda’’, ‘‘Oliveira & Nascimento S/C Ltda’’ e ‘‘Paulo & Ilson S/C Ltda’’ – esta última também pertencente ao pintor Ilson Antônio Henrique de Oliveira, ‘‘laranja’’ que está preso em Ibiporã por furto.
A lavagem de dinheiro em agências do banco está sendo investigado pela Polícia Federal (PF) em 30 inquéritos diferentes – um para cada conta fantasma. A descoberta dessas contas foi feita pelo Ministério Público (MP), a partir do rastreamento do dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina. O MP trabalha com a hipótese de que as contas eram operadas por um conhecido doleiro da cidade.

mockup