Buscando enxugar despesas e voltar ao equilíbrio econômico-financeiro em julho de 2014, a Sercomtel demitiu ontem 23 trabalhadores. A maioria era de aposentados que estavam na empresa há mais de uma década; os outros são funcionários que tinham salários superiores ao teto das categorias da telefônica. Outras demissões podem ocorrer no próximo mês.
Os cortes, que custarão cerca de R$ 1,8 milhão em rescisões trabalhistas, vão gerar economia mensal de
R$ 240 mil. O valor, no entanto, é insuficiente para equilíbrio entre os custos e receitas da companhia, que precisa reduzir os gastos mensais em R$ 2 milhões.
A companhia já conseguiu cortar R$ 1,2 milhão. A partir de março de 2014, o custo com pessoal cairá R$ 650 mil em razão do plano de demissão voluntária de 2012, quando 99 funcionários se desligaram; e a partir de abril do ano que vem outros R$ 572 mil serão economizados com o PDV de julho de 2013, que teve a adesão de 57 colaboradores. "O restante da economia virá de cortes de serviços terceirizados, suspensão de investimentos e possíveis novas demissões", afirmou o presidente da Sercomtel, Christian Schneider.
Quanto às demissões, ele se refere a 14 funcionários – também aposentados – que foram contratados antes da Constituição Federal de 1988 e podem perder os empregos no próximo mês. Schneider encomendou parecer jurídico para analisar se eles têm ou não estabilidade funcional, já que, como regra geral, funcionários de sociedades de economia mista (como a Sercomtel) não são estáveis. Há outros 12 colaboradores (não aposentados) que também serão alvo da análise sobre a estabilidade. "Se forem estáveis, poderão ser absorvidos pelo município", disse.
O presidente da companhia afirmou ainda que foi utilizado um critério objetivo para escolher os demitidos. "São grupos com salários acima do teto e os aposentados. Neste caso, cremos que o impacto social é menor porque são pessoas que já estão aposentadas, ou seja, têm uma fonte de renda", explicou.
Para o diretor executivo do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicação no Paraná (Sinttel), João Henrique Schmidt, no entanto, mandar embora os aposentados é "demissão discriminatória". "No meu entendimento trata-se de demissão discriminatória. Já estamos fazendo consulta ao departamento jurídico e podemos procurar o Judiciário ou fazer a denúncia ao Ministério Público do Trabalho", afirmou. "A situação financeira da Sercomtel é preocupante, mas minha função é defender os trabalhadores."
Com o último corte, a Sercomtel fica com pouco menos de 500 funcionários, que custam o equivalente a 26% da receita líquida. Companhias privadas gastam entre 11% e 15% com pessoal, disse Schneider.

Diretorias
Também está em estudo proposta da prefeitura que prevê a redução de sete para cinco diretorias na Sercomtel: seria extinta a vice-presidência e fundidas as diretorias de Marketing e Comercial, o que representaria economia de R$ 450 mil em um ano. A proposta ainda deve ser analisada pela Copel e votada em assembleia como requisito para assinatura de novo acordo de acionistas. Schneider, no entanto, descartou reduzir seu próprio salário e o dos demais diretores, que beiram os
R$ 20 mil. "Já houve corte de 20% em 2010 e são cargos de extrema responsabilidade."
Outra medida para garantir o equilíbrio da contas é um esperado aporte de capital que seria feito pelos sócios, no montante de R$ 15 milhões, sendo pouco mais da metade do município (em terrenos) e o restante da Copel, em dinheiro.

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