Ou a Sercomtel Celular recebe pelo menos R$ 20 milhões de investimento para manter a competitividade, ou terá que ser vendida para evitar mais prejuízo. É a conclusão do relator do grupo de estudos sobre a Sercomtel na Câmara Municipal de Londrina, vereador Jamil Janene (PMDB), baseada em balanços financeiros e reuniões com diretores e funcionários da companhia.
O relatório da comissão só será fechado com o aval dos demais membros, mas ontem Janene adiantou que ''já tem tudo que precisa em mãos''. O grupo foi montado há três meses para estudar a viabilidade econômica e financeira da Sercomtel Celular e Fixa, começando pela primeira. No final do ano passado, o prefeito Nedson Micheleti (PT) anunciou que não falaria mais em ''venda'' se a iniciativa não partisse da própria Câmara.
''Tivemos acesso a dados sobre o faturamento, a receita, os gastos e o prejuízo da Celular. Funcionários e diretores confirmaram que ela precisaria de R$ 20 milhões a R$ 30 milhões para ter chances de competitividade'', repassou o relator. Segundo ele, os recursos seriam aplicados ''principalmente em tecnologia'', mas serviriam também para quitar a dívida da Sercomtel Celular com a Fixa, atualmente próxima a R$ 15 milhões.
''Se a Celular não tiver os investimentos necessários, nem for vendida, pode começar a prejudicar a Fixa, que ainda é excelente e viável'', alertou Janene. Ele assinalou ainda que, mesmo recebendo a injeção de recursos indicada, não há como garantir que a companhia sobreviva a longo prazo. ''Perguntei aos diretores e aos próprios funcionários se, com os investimentos, ela não corre mais riscos. Nenhum deles deu essa garantia.''
O vice-presidente da Sercomtel, Oscar Alberto Bordin, que representa a Copel na companhia (45% das ações), concordou que o valor dos recursos necessários à Celular ''gira em torno'' daquele informado pelo vereador. Segundo Bordin, cerca de R$ 10 milhões equivaleriam ao investimento na nova tecnologia 3G (terceira geração), que em breve deverá substituir a geração GSM. Outros R$ 10 milhões teriam que ser aplicados em subsídios para os novos aparelhos.
''Os subsídios são pesados, principalmente no início. Temos que bancar boa parte do valor dos aparelhos para atrair clientes ávidos por novidades'', explicou. Segundo Bordin, a companhia tem meios de operar a tecnologia 3G ''sem atingir a plenitude'', mas não conseguirá ampliar as ações ao mesmo nível das concorrentes sem os recursos mínimos. ''Eu diria que a curto prazo (a empresa) não fica inviável (sem os R$ 20 milhões), mas a longo prazo sim'', alegou, sem falar em venda. ''Ou se faz o investimento, ou se define os rumos da empresa: se vamos mudar o foco do nosso nível de cliente, se vamos operar só com um determinado tipo de tecnologia'', condicionou.
O diretor de planejamento estratégico da Sercomtel, Francisco Moreno - indicado pela prefeitura, sócia majoritária na telefônica - disse que só para este ano estão previstos investimentos de R$ 6 milhões a R$ 7 milhões na Celular, o que não significa que haja receita para tanto. ''Quando se faz a licitação de determinados equipamentos, podemos pedir prazo para as empresas fornecedoras'', observou. Ele ratificou que o investimento na tecnologia 3G pode chegar a R$ 20 milhões, mas frisou que esse valor pode ser investido ''gradualmente''.
Com relação à venda da Celular como única alternativa à falta de recursos, Moreno declarou que ''a empresa está numa situação difícil, mas a diretoria tem a obrigação de fazer a melhor gestão possível''. ''Ela teria hoje uma boa oportunidade de venda, mas isso depende de uma ação da Câmara e da própria prefeitura'', ponderou.

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