Sercomtel adota normas mais rígidas para patrocínios
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Luís Fernando Wiltemburg<br>Reportagem Local 
A Sercomtel endureceu as regras para concessão de verbas de patrocínio, depois que relatório de auditoria da Câmara Londrina apontou suspeições em processos que liberaram pelo menos R$ 2,4 milhões entre 2011 e 2012 para divulgação da marca. A regulamentação foi publicada anteontem, no Diário Oficial do Município, e passa a exigir dos interessados o retorno do investimento, contrapartida para a telefônica e prestação de contas do investimento do dinheiro.
O diretor de Marketing e Serviços da Sercomtel, Agnaldo Cesar Aversani, admite que os procedimentos vão dificultar alguns órgãos de obter patrocínio. "Mas não foi essa nossa intenção. Aprimoramos os controles de eficiência e transparência com o objetivo de alcançar as propostas mais interessantes", diz.
As novas regras substituem os ritos para análise, concessão e contratação de patrocínios da telefônica que eram regidos pelo Procedimento de Qualidade 35 (PQ-0035), um processo administrativo interno da empresa.
Em 2013, após analisar os processos adotados nos dois anos anteriores, auditores da Câmara chegaram à conclusão de que a Sercomtel não seguia qualquer tipo de seleção pública para repassar as verbas de patrocínio e sequer respeitava na íntegra o disposto no PQ-0035.
Além disso, a empresa não fazia a tomada de prestação de contas dos recursos e os auditores não localizaram documentos que comprovassem a existência de avaliação técnica do retorno de mídia. No fim do relatório, a Câmara propõe 15 sugestões para aprimorar o procedimento.
Segundo Aversani, desde que ele e o atual presidente, Christian Schneider, assumiram os postos, já rascunhavam o novo regulamento, mas a elaboração ficou em segundo plano em relação a outras ações porque as verbas para patrocínio estão suspensas. Porém, o trabalho foi acelerado após a divulgação da auditoria do Legislativo.
Só com previsão
As novas regras só permitem que a empresa volte a conceder patrocínio quando houver verbas na auditoria, a Câmara teve acesso a documentos em que a diretoria financeira alertava para a situação das contas da telefônica, mas os avisos foram ignorados.
A partir de agora, a regulamentação obriga a publicação de chamamento público de interessados, de acordo com o tipo de patrocínio oferecido (para eventos esportivos ou culturais, por exemplo). A Sercomtel também vai exigir dos interessados 15 critérios de viabilidade, que vão desde fatores de destaque em relação à notoriedade pública do evento, análise de retorno institucional ou mercadológico e até o potencial de continuidade ou ampliação do patrocínio. Serão descartados projetos de cunho religioso ou político/partidário, por exemplo.
As propostas serão analisadas por uma comissão que terá membros ligados à diretoria de marketing. "Eles vão dar pontos para cada item da proposta e, aqueles que tiverem pontuações acima de 7, serão enviados à diretoria para analisar se faz o patrocínio ou não", diz Aversani.
De olho no retorno
Até o ano retrasado, segundo a auditoria da Câmara, os patrocínios eram pagos sem estudos de viabilidade e prospecção de retorno à empresa e não havia fiscalização sobre a aplicação dos recursos.
As novas regras também mudam isso. "Na proposta que apresentar, o interessado tem que oferecer uma contrapartida, como a divulgação da marca na camiseta do clube ou a citação no meio do show. E, depois que a concessão é aceita, será feito um contrato de prestação de contas. Se o beneficiado receber R$ 10 mil, terá de indicar onde será gasto e comprovar a aplicação", explica o diretor de Marketing.
Para receber os recursos, o patrocinado terá de abrir uma conta bancária exclusiva para essas verbas. No passado, segundo a auditoria da Câmara, foram emitidos até repasses em cheques, impedindo qualquer fiscalização sobre a aplicação.


