Sequestradores vão ser extraditados
Arquivo FolhaAbílio Diniz: sequestradores do empresário foram condenados a penas de 26 a 28 anos de prisãoO secretário Nacional de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, José Gregori, disse ontem que os nove estrangeiros envolvidos no sequestro do empresário Abílio Diniz - ocorrido em dezembro de 1989 - serão extraditados pelo governo brasileiro. O cearense Raimundo Rosélio da Costa Freire, décimo integrante do grupo, poderá ser beneficiado com a regressão de pena.
Os sequestradores de Diniz - militantes do Movimento de Esquerda Revolucionária ( MIR) e das Forças Populares de Libertação de El Salvador - estão presos há oito anos e três meses na Penitenciária do Estado, no Carandiru, zona norte de São Paulo. Foram condenados a penas que variam entre 26 e 28 anos.
Eles iniciam uma greve de fome por tempo indeterminado a partir das 6 horas de hoje para reivindicar a libertação. Os dez prisioneiros recusarão a primeira refeição que será servida neste horário. Por volta de 14 horas, eles receberão a visita de uma comissão de deputados e integrantes de entidades de Direitos Humanos, quando entregarão um manifesto explicando os motivos que os levaram a tomar a decisão.
A greve só atrapalha porque o presidente Fernando Henrique Cardoso já decidiu extraditar os estrangeiros, disse Gregori. O brasileiro também poderá ser solto.
Desde o ano passado, os sequestradores planejavam a greve de fome e, mais recentemente, recusaram a oferta de prisão semi-aberta. A expulsão dos estrangeiros - os chilenos Pedro Alejandro Fernandez Lenbach, Maria Emília Honória Badilla, Ulisses Fernando Gallardo Acevedo e Hector Ramon Collante Tapia, os irmãos argentinos Humberto Eduardo e Horácio Enrique Paz, e os canadenses David Robert Spencer e Christine Gwen Lamont - tem apoio do Comitê pela Libertação dos Presos Políticos Internacionalistas, do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra e de vários organismos internacionais. O PT também apóia a proposta, embora o sequestro tenha prejudicado a campanha do candidato do partido Luiz Inácio Lula da Silva em 1989. Raimundo Rosélio Costa Freire era filiado ao partido até 1988 e tinha vínculos com a corrente Convergência Socialista.
Segundo Gregori, a situação dos canadenses está encaminhada. Fernando Henrique deve assinar um tratado com o governo canadense para extraditar, dentro de 25 dias, os militantes Spencer e Christine. As negociações com o Chile e a Argentina serão intensificadas. O tratado prevê reciprocidade: se um brasileiro for preso no Canadá poderá se usufruir dos mesmos direitos.
Em 1989, os 10 integrantes do MIR e da FPLS exigiram um resgate de US$ 30 milhões pela libertação de Diniz. O dinheiro seria destinado ao financiamento da guerrilha de esquerda em El Salvador. O plano não deu certo. O empresário foi resgatado no cativeiro pela polícia e todos os sequestradores acabaram presos.
O jornalista Breno Altman, do Comitê pela Libertação dos Presos Políticos Internacionalistas, qualificou a informação do secretário Nacional dos Direitos Humanos do Ministério da Justiça, José Gregori, como mais um blefe do governo federal.
Os prisioneiros não vão aceitar essa oferta do governo, porque a extradição significa um tratado de intercâmbio, explicou Altman. Significaria apenas uma troca de presos entre países. No caso dos canandenses, por exemplo, eles teriam de cumprir o restante da pena aplicada pela Justiça brasileira em seu país. O governo do Canadá só poderia conceder algum benefícios aos prisioneiros se houvesse a concordância do governo brasileiro, acrescentou.
Altman lembrou que esse tratado de intercâmbio também valeria reciprocamente para o Brasil no caso da condenação de um brasileiro no Canadá. Os prisioneiros querem ser expulsos pelo governo brasileiro, porque com a expulsão, uma punição prevista no Estatuto dos Estrangeiros, ficariam livres da obrigação de cumprir as penas em seus países de origem, ressaltou o jornalista. Eles vão manter a decisão de fazer a greve de fome, porque eles exigem que o governo federal expulse estrangeiros e conceda o indulto ao brasileiro, disse.(AE)





