Sengés tem só um candidato a prefeito
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segunda-feira, 07 de agosto de 2000
Edinelson Alves Enviado a Sengés Especial Para a Folha 
O prefeito de Sengés (380 km de Londrina) Anselmo Jorge de Lima (PTB), 53 anos, não tem concorrente nesta eleição. Ele é candidato único. Mas, para ter o direito de permanecer mais quatro anos à frente do Executivo do município, localizado no Norte Pioneiro, na divisa com São Paulo, Anselmo precisa obter 50% mais 1 dos votos válidos.
O prefeito confessa estar preocupado. Sem adversário, não tenho contra quem trabalhar. A maioria dos eleitores não sabe como votar na urna eletrônica e isso é um risco muito grande. Mesmo que eu venha a alcançar boa votação, a quantidade de votos brancos será grande e isso vai me prejudicar politicamente, receia. Sengés tem 11.486 eleitores.
Para explicar a mágica de não ter adversário, Anselmo vai, aos poucos, contando histórias que revelam o seu perfil populista. Ele disse transformar suas festas de família em megaeventos comunitários. No casamento da filha, matou 23 cabeças de gado. O convite foi fixado em locais públicos para toda a população. Duzentas pessoas com crachá, foram recrutadas para cuidar da organização da festa. Ele também distribui 9 mil litros de leite por mês, mais de 300 cestas básicas, entre tantas outras ações assistencialistas. E confessa: Mato três capados por semana e uma cabeça de gado a cada 15 dias apenas para servir as cerca de 60 pessoas que diariamente comem lá em casa.
Como sua mulher Isulina de Melo Lima é vereadora candidata à reeleição e há outros 38 candidatos disputando uma das nove vagas na Câmara de Sengés, para evitar o ciúme dos concorrentes, o prefeito promete adotar uma decisão salomônica. Vou colocar os 39 nomes num cesto e uma criança irá tirar um papel. O nome do candidato que for o escolhido nesse sorteio receberá o meu voto, explicou. Faço questão de fazer isso publicamente para que todos fiquem sabendo que não sou cabo eleitoral da minha esposa.
Anselmo garante que não participará da campanha eleitoral de sua mulher. Até acho que ela teve poucos votos na eleição passada. Agora, com mais experiência, tem trabalhado melhor o eleitorado e certamente terá uma votação mais expressiva, prevê.
Esse estilo de fazer política, Anselmo admite que não aprendeu sozinho, mas que vem de berço. Minha família fez história na política de Sengés, afirma. O tio dele, Durval Jorge, foi prefeito por quatro vezes; o primo, Jaime Jorge, três vezes. Outro tio, Daniel Jorge, conseguiu se eleger uma vez para prefeito. Anselmo, por sua vez, já foi vice-prefeito e prefeito duas vezes.
Minha mãe sempre manteve a casa aberta. Recebia quem chegasse para o almoço e eu herdei esse estilo de fazer política que tem dado certo, garante o prefeito. Se você fizer uma pesquisa vai constatar que mais de 80% dos eleitores estão comigo. É um sinal claro de eles apóiam a minha administração, discursa.
A estratégia populista de Anselmo arrefeceu a disposição de seus adversários. Meus opositores sabiam que não teriam chances de concorrer comigo, então passei a convidar para que eles fizessem parte da minha coligação, explica. A Unidos por Sengés tem como candidato a vice-prefeito Valcir Rossoni (PFL).
Os vereadores do PDT, segundo Anselmo, foram os mais resistentes e, a princípio, não aceitaram o convite. Mas como ficaram sozinhos, acabaram aderindo à nossa aliança política. Isso é bom para o nosso município, pois se tivéssemos adversário, certamente os gastos com as duas campanhas chegariam perto de R$ 1 milhão, justifica.


