Os senadores do PMDB que estiveram reunidos ontem com o governador de Minas Gerais Itamar Franco (PMDB) comprometeram-se a defender a criação de uma comissão especial da Casa para fazer a avaliação do quadro financeiro e da dívida dos Estados, sugerindo que o caso de Minas seja tratado já com a equipe financeira do governo. A reunião, que durou três horas e meia, teve a participação de 24 dos 27 senadores da bancada.
Itamar estava acompanhado do seu vice Newton Cardoso, pelos secretários da Fazenda, Alexandre Dupeyrat, da Casa Civil, Henrique Hargreaves, e de uma série de outros auxiliares, bem como do presidente da Assembléia Legislativa mineira, Anderson Adauto (PMDB). A proposta para a negociação do caso Minas diretamente com técnicos do governo partiu do senador Roberto Requião (PR).
O governador fez uma exposição de duas horas sobre a situação financeira do Estado e conseguiu convencer a bancada de que não tem condições de pagar a dívida com a União, nos termos do negociação feita pelo governo anterior. ‘‘Foi uma exposição boa, detalhada, que mostrou que a situação do Estado é difícil e preocupante’’, disse José Sarney (AP). O presidente nacional do PMDB, Jáder Barbalho, igualmente saiu em defesa de Itamar: ‘‘Não se trata de moratória. O governador apresentou números que mostram as dificuldades de pagar a dívida. Não tenho razão para duvidar dos números do governador’’, disse.
Em entrevista, Itamar disse que Minas não está isolada e reafirmou que não vai se encontrar com FHC. Ele voltou a falar em uso do ‘‘direito de resistência’’ contra os bloqueios dos recursos pela União. Ele afirmou que não tem o que falar com FHC, a quem acusou de se dizer disposto ao diálogo, mas adota medidas contra o governo mineiro, como o bloqueio de recursos e o envio de carta a organismos internacionais dizendo que o Estado é mau pagador. ‘‘Eu vim atrás de uma bandeira branca, mas eles arriaram a bandeira branca’’, afirmou.
Itamar negou que seja candidato a cargo eletivo em 2002. ‘‘Não contem comigo’’. O governador evitou falar o nome de FHC, tratando-o por ‘‘sr. presidente da República’’ ou ‘‘chefe do Executivo’’, e criticou a política econômica e a equipe econômica do governo. Disse que o País empobreceu durante o governo de FHC, em especial porque não foram feitas as reformas estruturais. Para Itamar, o Plano Real foi ‘‘desviado’’, porque FHC deveria ter feito, nos primeiros quatro anos de governo, as reformas tributária, fiscal, administrativa e política. ‘‘Ele, mais do que ninguém, sabia disso. No entanto, se preocupou com a emenda da reeleição’’, disse.
O governador citou índices de crescimento econômico e de desemprego do final do seu governo (1994) em comparação com dados da administração FHC. Por exemplo, afirmou que em 1994 a taxa de desemprego era de cerca de 5% e hoje ultrapassa a 12%. ‘‘É isso que a equipe econômica não gosta de discutir comigo. Por que ela desvia para problema pessoal, para 2002. Por que não diz o que aconteceu de 1994 para 1998? Eu digo que o País empobreceu. A equipe econômica não enxerga o ser humano, só vê números’’, afirmou. Segundo Itamar, o ‘‘monitoramento’’ do FMI na economia brasileira vai levar o País à recessão e ao desemprego.

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