Mesmo sendo do mesmo partido do presidente Fernando Henrique Cardoso, os dois senadores tucanos do Paraná, os irmãos Alvaro e Osmar Dias, mantiveram as assinaturas no requerimento que pedia a abertura da CPI da Corrupção e condenaram a estratégia governista de ameaçar aliados de retaliação, retirando cargos e negando liberação de verbas, caso não retirassem o apoio. O terceiro senador paranaense, Roberto Requião, também assinou o requerimento.
‘‘Ainda que o governo prometesse me condenar à morte eu não retiraria (a assinatura). O governo, no meu entendimento, está agindo de forma equivocada e desrespeitosa com a sociedade, que se manifestou quase que inteiramente a favor da investigação’’, criticou Osmar – que ontem considerou uma ‘‘decepção’’ o arquivamento da CPI.
O senador afirmou que não teme qualquer tipo de retaliação, como sugeriu FHC aos ‘‘infiéis’’. ‘‘Não tenho nenhum office-boy indicado no governo. Se quiser, o governo pode dispor dos cargos que eu não tenho. Já quanto às emendas, é um direito constitucional e não me parece que o governo vai rasgar a Constituição para impedir uma CPI. Até porque o Paraná fechou questão no Senado e o povo do Paraná paga imposto e tem direito a receber recursos.’’
Sobre o comportamento do presidente FHC no episódio, Osmar disse que ficou decepcionado. ‘‘A decepção não é só minha mas de toda a sociedade. Pessoalmente, acho que o presidente não teria nada a temer com essa investigação.’’
Alvaro também disse achar ‘‘surpreendente’’ a postura de FHC para abafar a CPI. ‘‘O presidente integra um partido que fala em ética. É um equívoco do governo muito grave, imperdoável, porque ele passa a impressão que toda a corrupção hoje mora no governo. E esse requerimento pedia a investigação da corrupção de décadas’’, afirmou. ‘‘Na verdade, o próprio governo devia ter se antecipado e pedido para a base instaurar essa CPI.’’
Sobre as declarações do presidente, dizendo que quem assinasse o requerimento seria ‘‘inimigo’’, Alvaro ironizou. ‘‘Não considero isso (declaração de FHC) inspirado. No mínimo é uma falta de inspiração do presidente num momento de conturbação política. Vivemos hoje um momento democrático e o respeito a liberdade de pensamento é fundamental.’’
Alvaro também disse não temer retaliação do governo. ‘‘É evidente que recebo críticas, que há um constrangimento no seio do partido, mas não há o que retaliar com a minha pessoa. Sempre adotei uma posição de independência. Tenho votado contra o governo em várias oportunidades e tenho sido respeitado. Imagino que nesse episódio serei respeitado porque atendemos a um clamor popular e os ditames da própria consciência.’’

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