Senadores tentarão evitar privatização
Leandro Donatti
Arquivo FolhaSem culpaRequião: Nem eu nem o Álvaro fizemos dívida alguma, diz o senador, para quem Lerner é o responsávelAcusado pelo Palácio Iguaçu de contribuir para o estrangulamento financeiro do Banestado, o senador Roberto Requião (PMDB) disse ontem em Curitiba que vai liderar, junto com Osmar Dias (PSDB) e José Eduardo de Andrade Vieira (PTB), movimento político no Senado para barrar o acordo fechado entre o governo e o Banco Central, na última sexta-feira, e que contempla a privatização do banco num prazo de um ano. O senador aproveitou um encontro municipal do PMDB, ontem, para criticar os termos da negociação costurada pelo secretário da Fazenda, Giovani Gionédis. Para valer, o acordo depende da aprovação do Senado e da assinatura do governador, que na terça-feira viajará a Brasília.
Requião rebateu a nota oficial do governo Lerner que o acusou de assumir dívidas do extinto Badep, cuja liquidação começou no governo Álvaro Dias (PSDB), e disse que os débitos foram herdados com a criação da Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Os devedores do Badep fazem parte do grupo do Lerner, do (ex-prefeito de Curitiba) Saul Raiz e do (ex-governador) Ney Braga. Nem eu nem o Álvaro (Dias) fizemos dívida alguma, observou. Para o senador, financiamentos para a instalação de diversas empresas, oferecidos na época, geraram o débito que foi rolando ano a ano. Ele citou a instalação da Volvo e da Phillip Morris.
Para Requião, o governo não foi hábil na negociação. Vamos resistir a essa privatização. Não podemos deixar que façam o mesmo que fizeram com o Bamerindus, discursou. O senador avalia que existem somente dois grupos financeiros capazes de comprar o banco hoje: o Bradesco e o HSBC. Eles estão cheios de agências e devem se concentrar no monopólio da arrecadação pública. O que teremos, como consequência, é o fechamento de agências e demissão de funcionários em massa, conclui. Requião diz que vai defender no Senado nova proposta de saneamento. O governo financia o saneamento com ações da Copel e o banco fica com o Paraná. Não há como se governar sem um banco estadual, reforça.
O senador disse ainda que o rombo de R$ 1,7 bilhão detectado no Banestado, e declarado pelo próprio governo do Estado, teve origem no que ele chamou de incompetência administrativa. O banco foi arrebentado e os ladrões continuam soltos pelas ruas, disse Requião numa referência às denúncias que vêm sendo investigadas pelo Ministério Público Federal contra a gestão do ex-diretor da Banestado Leasing Osvaldo Magalhães dos Santos, o atual secretário do Esporte e do Turismo. Segundo o senador, boa parte da dívida tem origem nestes financiamentos de leasing dados pela então direção da Leasing, sem qualquer lastro de garantia. A compra dos títulos podres de Alagoas e Pernambuco também foi atacada pelo senador.
Requião declarou ainda que a privatização do Banestado faz parte de uma estratégia do governo Lerner de entregar à iniciativa privada setores fundamentais para qualquer governo. Estão dilapidando o patrimônio da Copel e a Ferroeste foi alugada por um terço do custo do jatinho que leva o governador de um lado para o outro. Isso é um absurdo, criticou. Ele cita como exemplo a última venda de ações promovidas pelo governo. Eles pagaram R$ 13,00 o lote de ações, o que representou um prejuízo de R$ 80 milhões se comparado com a negociação anterior. Eu já deixei de vender, quando governador, ações da Copel por R$ 57,00 o lote, comparou.





