A senadora Marina Silva (PT-AC) disse ontem, após a confissão do senador José Roberto Arruda, que tem que haver punição para o crime de violação do sigilo do painel de votação eletrônica do Senado. ‘‘A confissão do crime não revoga a pena’’, disse. Ela acha que houve quebra de decoro e que a pena a ser aplicada é a prevista no regimento interno.
Marina disse não acreditar que a ex-diretora do Prodasen Regina Borges tenha agido por iniciativa própria e disse que atenuante, se existir, é para os funcionários, porque ‘‘foram duas pessoas de alta responsabilidade no Senado – Arruda e Antonio Carlos Magalhães – que praticaram o crime’’. Ela disse, também, esperar que se tenha aprendido que ‘‘voto secreto é para o eleitor’’, defendendo, portanto, o fim dele nas votações no Senado.
Segundo Marina, o PT tem interesse na divulgação da lista, para que seja mostrada a verdade em relação ao voto de Heloísa Helena (PT-AL), depois que ACM disse que Heloísa votou a favor de Estevão, em 28 de junho de 2000.
O corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma, acredita que a confissão de Arruda poderá atenuar a sua situação. ‘‘Isto tudo pode arrefecer o desejo de uma punição mais grave’’, afirmou. Na semana passada, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ponderou que seu voto em favor ou contra uma eventual cassação de Arruda e ACM dependeria da atitude deles de confirmar ou não as acusações.
O líder do PPS no Senado, Paulo Hartung (ES), disse que, com a confissão de Arruda, a punição dos responsáveis pela violação será atenuada, e dificilmente haverá a cassação do mandato. Segundo Hartung, deverá haver punição, mas esta será uma decisão política do Senado. ‘‘O depoimento do senador José Roberto Arruda contribuiu para encerrar a fase de investigação do episódio. Agora, é trabalhar para definir que tipo de punição será dada’’, disse.
O senador Jefferson Peres (PDT-PA) disse que Arruda mentiu na semana passada e que, se todos que cometerem uma falta grave como esta forem absolvidos, ‘‘não existe mais Senado’’. ‘‘É uma falta muito grave que eles fizeram – observou o senador, referindo-se a Arruda e ACM.
Peres lembrou que Arruda jurou na semana passada que não tinha a lista, chamou Regina de caluniadora, e ‘‘ele era puro e santo’’. E isso Peres considera um erro gravíssimo. ‘‘Ele tem de ser punido’’, insistiu o senador paraense. ‘‘Espero que o Conselho faça jus a seu nome: Conselho de Ética’’, disse. O senador Amir Lando (PMDB-RO) disse que ‘‘o fato abstrato enseja a cassação’’, mas admitiu, também, a suspensão temporária do mandato dos senadores envolvidos.
Arruda falou rapidamente com a imprensa após ter concluído o seu depoimento. ‘‘Eu tenho limite humano. Falei a verdade. Fiz uma profunda reflexão com meus amigos e minha família e achei que a melhor contribuição que poderia dar nesse momento difícil ao País, à minha família, aos meus amigos e a mim mesmo, era resgatar pelo menos a minha dignidade e isso eu resgatei. O resto são as consequências, o que tiver que ser. Mas pelo menos esta noite eu vou dormir porque falei a verdade. E este era o meu compromisso.’’ (Colaboraram Cida Fontes e Nelson Breve)

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