Senadores se dividem sobre punição
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segunda-feira, 23 de abril de 2001
Tânia Monteiro Agência Estado De Brasília 
A senadora Marina Silva (PT-AC) disse ontem, após a confissão do senador José Roberto Arruda, que tem que haver punição para o crime de violação do sigilo do painel de votação eletrônica do Senado. A confissão do crime não revoga a pena, disse. Ela acha que houve quebra de decoro e que a pena a ser aplicada é a prevista no regimento interno.
Marina disse não acreditar que a ex-diretora do Prodasen Regina Borges tenha agido por iniciativa própria e disse que atenuante, se existir, é para os funcionários, porque foram duas pessoas de alta responsabilidade no Senado Arruda e Antonio Carlos Magalhães que praticaram o crime. Ela disse, também, esperar que se tenha aprendido que voto secreto é para o eleitor, defendendo, portanto, o fim dele nas votações no Senado.
Segundo Marina, o PT tem interesse na divulgação da lista, para que seja mostrada a verdade em relação ao voto de Heloísa Helena (PT-AL), depois que ACM disse que Heloísa votou a favor de Estevão, em 28 de junho de 2000.
O corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma, acredita que a confissão de Arruda poderá atenuar a sua situação. Isto tudo pode arrefecer o desejo de uma punição mais grave, afirmou. Na semana passada, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ponderou que seu voto em favor ou contra uma eventual cassação de Arruda e ACM dependeria da atitude deles de confirmar ou não as acusações.
O líder do PPS no Senado, Paulo Hartung (ES), disse que, com a confissão de Arruda, a punição dos responsáveis pela violação será atenuada, e dificilmente haverá a cassação do mandato. Segundo Hartung, deverá haver punição, mas esta será uma decisão política do Senado. O depoimento do senador José Roberto Arruda contribuiu para encerrar a fase de investigação do episódio. Agora, é trabalhar para definir que tipo de punição será dada, disse.
O senador Jefferson Peres (PDT-PA) disse que Arruda mentiu na semana passada e que, se todos que cometerem uma falta grave como esta forem absolvidos, não existe mais Senado. É uma falta muito grave que eles fizeram observou o senador, referindo-se a Arruda e ACM.
Peres lembrou que Arruda jurou na semana passada que não tinha a lista, chamou Regina de caluniadora, e ele era puro e santo. E isso Peres considera um erro gravíssimo. Ele tem de ser punido, insistiu o senador paraense. Espero que o Conselho faça jus a seu nome: Conselho de Ética, disse. O senador Amir Lando (PMDB-RO) disse que o fato abstrato enseja a cassação, mas admitiu, também, a suspensão temporária do mandato dos senadores envolvidos.
Arruda falou rapidamente com a imprensa após ter concluído o seu depoimento. Eu tenho limite humano. Falei a verdade. Fiz uma profunda reflexão com meus amigos e minha família e achei que a melhor contribuição que poderia dar nesse momento difícil ao País, à minha família, aos meus amigos e a mim mesmo, era resgatar pelo menos a minha dignidade e isso eu resgatei. O resto são as consequências, o que tiver que ser. Mas pelo menos esta noite eu vou dormir porque falei a verdade. E este era o meu compromisso. (Colaboraram Cida Fontes e Nelson Breve)


