Senadores são contra o PR, diz Lerner
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quarta-feira, 21 de maio de 1997
Leandro Donatti e Zeca Corrêa Leite Sucursal de Curitiba 
O governador Jaime Lerner acusou ontem os senadores Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB) de estarem trabalhando contra o Paraná. Eles estão fazendo exigências que não fizeram para outros estados e a minha revolta está nisso. Eu não quero uma exigência maior do que a colocada para os outros, reagiu Lerner ao comentar a decisão da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado que, na última terça-feira, barrou os pedidos de empréstimos feitos pelo Estado e que aguardam uma autorização do Senado.
O governador disse ainda que a exigência, de se revelar os termos do contrato fechado com a montadora Renault, não passa de um tratamento discriminatório. O Paraná não pode aceitar isso. Se for colocada a mesma exigência para todos os estados, daí eu concordo, afirma o governador. Eu topo, desde que todos abram seus protocolos lá no Senado, reforça.
Lerner entende que o problema não vem do Senado em si, mas de dois senadores que colocaram esta condição com a intenção de dar um tiro no governador. Mas eles (Requião e Osmar) estão acertando no pequeno agricultor e em toda a área de saneamento que seria beneficiada com esse financiamento, justifica.
Ele lembra que um dos financimantos que o Paraná pede a liberação do Senado foi conseguido pelo próprio presidente Fernando Henrique durante uma viagem ao Japão. Esta situação reflete um momento nervoso do país, mas que vai passar, aposta o governador.
O secretário de Desenvolvimento Urbano, Lubomir Ficinski, - que responde pelo Programa Paraná Urbano - também demonstrou indignação ontem com a decisão do Senado. Deixaremos de fazer centenas de quilômetros de esgoto. Crianças vão morrer por falta de saneamento, principalmente nas periferias das grandes cidades, avisa.
O secretário do Emprego e das Relações do Trabalho, Joni Varisco, vai funcionar como um testa-de-ferro do governador Jaime Lerner (PDT) na briga com os senadores Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB) pela liberação dos pedidos de empréstimos com organismos internacionais feitos ao Senado e barrados pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), na última terça-feira. Varisco começa hoje, com uma visita ao município de Corbélia, a percorrer o interior do Estado com a missão de responsabilizar e indispor os senadores pelo breque.
A disposição do secretário para a nova função pode confirmar o seu afastamento da pasta, especulado por alguns aliados do governador, que costuram a indicação do ex-prefeito de Campo Mourão Rubens Bueno (PSDB) para o seu lugar. Varisco nega que esteja na corda-bamba e diz que tudo não passa de intrigas do terceiro escalão do governo.
O secretário afirma que vai coletar, durante as suas viagens, assinaturas de lideranças políticas para reforçar uma ação popular contra o Senado pelos prejuízos que o atraso dos empréstimos pode gerar.O Paraná é o único dos grandes estados do País cujos adversários são exatamente os seus representantes no Senado Federal, ataca Varisco, emendando que a posição dos senadores não somente agride o governador Jaime Lerner como também a população em geral.
O secretário nega que vá trabalhar para o Palácio Iguaçu. No entanto, o tom do seu discurso já teria sido acertado com o próprio governador, durante uma reunião a portas fechadas no Palácio Iguaçu na terça-feira. Estou fazendo tudo isso como um cidadão comum, indignado com esta situação que se criou, desconversa.


