Em mais um dia tumultuado no Senado, parlamentares de oposição e da base governista atacaram ontem o senador Antonio Carlos Magalhães e defenderam a divulgação da lista com os votos da sessão secreta que cassou o mandato do ex-senador Luiz Estevão. Diante das expectativas de que a relação dos votos seria conhecida hoje, senadores e parlamentares demonstraram irritação com o fato de a listagem estar sendo usada pelo pefelista como instrumento de ‘‘chantagem’’ e ‘‘manipulação política’’ contra os adversários.
Até mesmo o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), fez um apelo para que a relação fosse divulgada. Ele reconheceu, no entanto, que se trata de um crime contra a Constituição a quebra do sigilo de uma votação secreta. ‘‘Se tivesse uma cópia dela (lista), eu a mostraria para voc꒒, declarou o tucano, dirigindo-se a um jornalista. ‘‘Ela tem de aparecer porque até mesmo minha empregada está curiosa em saber detalhes da votação’’, completou.
Alvo de ACM, o líder do bloco oposição no Senado, José Eduardo Dutra (PT-SE), que, segundo ACM, teria tido acesso à lista, anunciou que apresentaria uma questão de ordem em plenário. Seria para pedir ao presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), para verificar a possibilidade de a relação dos votos ser impressa pelo Senado. Ele desistiu da proposta depois de uma conversa com Jader na qual o peemedebista rechaçou qualquer chance de aceitar a reivindicação.
Para Jader, a relação dos votos, que estaria em poder de ACM ou do ex-senador José Roberto Arruda, não tem nenhuma credibilidade. O senador Jefferson Peres (PDT-AM) também defendeu a divulgação da lista. Jás os senadores Ramez Tebet, Heloísa Helena (PT-AL) e Emília Fernandes (PT-RS) reagiram ontem contra as insinuações de que teriam votado contra a cassação de Estevão.
Tebet afirmou que o cacique baiano estaria interessado em ‘‘se vingar’’ pelo fato de ele ter conduzido o processo pela cassação do mandato dele no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. ‘‘Eu não o atendi no sentido de que a votação do relatório recomendando sua cassação por quebra de decoro fosse secreta e já havia aprovado no conselho um voto de censura contra ele’’, argumentou.

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