Senadores pressionam por mudanças na Casa
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quinta-feira, 18 de junho de 2009
Eugênia Lopes<br>Agência Estado 
Brasília - A pressão sobre o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), aumentou ontem com a ameaça do PSOL de fazer uma representação para a cassação de seu mandato e a formalização de documento protocolado na Mesa Diretora e assinado por 20 senadores dando um ultimato para que ele promova mudanças moralizadoras na Casa. A ameaça do PSOL soma-se à pressão de um grupo de senadores - que ontem era composto por oito integrantes, mas ontem ganhou a adesão de mais 12 -, que deu um ultimato ao presidente Sarney para que ele demita, em uma semana, o diretor-geral do Senado, Alexandre Gazineo, além de toda a diretoria da Casa.
O teor do documento apresentado ontem é igual às reivindicações apresentadas na quarta-feira e é apoiado por senadores de cinco partidos: sete do PT, sete do PSDB, três do PMDB, dois do PDT e um do PSB. Metade da bancada petista no Senado assinou o documento apesar de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter criticado a ''onda de denuncismo'' e defendido Sarney com o argumento de que o peemedebista ''tem uma história Brasil suficiente para não ser tratado como uma pessoa comum''.
''Sabemos da importância do PMDB para a governabilidade. Mas o PT vai cobrar providências e pedir a anulação dos atos ilegais'', afirmou o senador João Pedro (PT-AM), um dos sete petistas que assinou o documento pedindo mudanças no Senado. Uma das reivindicações propostas no documento prevê que o novo Diretor-Geral do Senado tenha mandato de dois anos e seu nome seja referendado pelo voto dos senadores, além da promoção de ampla reforma administrativa na Casa.
Nenhuma das oito sugestões apresentadas pelos senadores trata dos atos secretos do Senado. O documento protocolado pelos 20 senadores também não cobra o resultado dos inquéritos abertos para investigar a participação de ex-diretores da Casa em irregularidades. Sarney fez questão, no entanto, de responder às cobranças feitas sobre o assunto, no plenário do Senado, pelo líder do PSDB, senador Arthur Virgílio Neto (AM).
''Os inquéritos serão concluídos e os culpados punidos severamente'', garantiu Sarney. Ele afirmou ainda que concorda com três das oito reivindicações feitas pelos senadores: a redução de pessoal e a suspensão de novas contratações, a realização de reunião mensal ordinária do plenário para decidir a pauta de votações e ratificar atos administrativos e a contratação de auditoria externa para todos os contratos firmados pelo Senado. Sarney não disse uma palavra sobre a principal reivindicação do documento: a demissão de Gazineo e a indicação de um novo Diretor-Geral do Senado, que seja referendado pelo voto dos senadores em plenário.


