Rio de Janeiro - Na semana seguinte ao áspero bate-boca entre os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Tasso Jereissati (PSDB-CE), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a troca de agressões entre os parlamentares e disse que eles poderiam agir de modo mais ''civilizado''. Afirmou ainda que o nível do debate no Senado está ''abaixo da média de compreensão da sociedade''.
''Vamos ver os debates que estão acontecendo no nosso querido Senado, uma instituição tão importante para a democracia do nosso país. Recentemente o nível de debate está abaixo da média de compreensão da nossa sociedade. São todas pessoas formadas, acima de 35 anos de idade, e que, em vez de prestar atenção ao que a televisão está transmitindo - e que poderiam agir de forma mais civilizada'', disse. Lula participou no Rio da da cerimônia de comemoração dos 150 anos de fundação da Igreja Presbiteriana no Brasil.
Há uma semana, Calheiros e Jereissati trocaram ofensas em meio à crise política que debate a permanência de José Sarney na presidência da Casa. Fora do microfone, Calheiros chamou o colega de ''coronel de merda''; o rival o qualificou de ''coronel cangaceiro''.
Lula queixou-se do que chamou de ''preconceito'' contra o Bolsa Família, que atende a 11,4 milhões de famílias. Segundo ele, só acha que a distribuição de recursos do programa desestimula o trabalho quem ''não conhece um pobre''.
''Só pode pensar que R$ 85 ou R$ 100 faz uma pessoa não querer trabalhar quem pode dar R$ 100 de gorjeta depois de tomar meia dúzia de uísques. Uma mulher pobre que pega R$ 50 ou R$ 100, ela transforma aquilo em uma coisa sagrada chamada alimento para os seus filhos'', reclamou.
Em discurso louvando ações do seu governo e do governador aliado Sérgio Cabral (PMDB) em favelas, o presidente parodiou Antônio Rogério Magri (ministro do Trabalho no governo Fernando Collor de Mello), que cunhou o termo ''imexível''.
''Se vocês, brasileiros que estão visitando o Rio de Janeiro, tivessem a oportunidade de visitar o Rio hoje - não a Avenida Atlântica ou Copacabana -, mas subissem aquele morro que até ontem a televisão mostrava 'insubível', como diria o Magri, 'insubível', ou Manguinhos, que tinha o nome simbólico de 'Faixa de Gaza'... Eu queria que vocês pudessem subir hoje lá para vocês verem que nós descobrimos'', disse.
Lula defendeu que para se reduzir a violência é preciso levar o aparato do Estado a essas áreas. ''A única chance que temos de fazer essas crianças se transformarem em homens e mulheres de bem e diminuirmos a violência... não é apenas a polícia - que tem um papel importante -, mas é a presença do Estado, do poder público, da prefeitura, do governo do Estado, do governo federal, levando para lá o que o Estado oferece para os ricos, porque as universidades públicas de qualidade são frequentadas por quem não precisa de escola pública, e as pagas são frequentadas por quem não pode pagar.''
Lula afirmou ter criado ''mais de 10 milhões de empregos'' desde 2003 e que o país está reduzindo a desigualdade social, mesmo durante a crise econômica. ''Nem mesmo a crise financeira internacional nos tirou desta rotina virtuosa. A verdade é que no auge da crise mundial, entre outubro de 2008 e junho de 2009, mais de meio milhão de pessoas deixaram a linha da pobreza nas principais regiões metropolitanas do país, se comparadas com o período de outubro de 2007 a junho de 2008.''

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