Brasília - Com o esperado esvaziamento do Congresso em consequência das eleições municipais, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), defendeu ontem a realização de três semanas de ''recesso branco'' até as eleições de outubro. O novo recesso seria na terceira semana de agosto e nas duas últimas de setembro. Nesse período, os parlamentares ficariam livres de comparecer ao Congresso e poderiam se dedicar às campanhas municipais.
Dessa forma, os parlamentares trabalhariam às terças, quartas e quintas-feiras em duas semanas de agosto, outra em setembro. Na prática, os senadores trabalhariam somente nove dias em Brasília nos próximos três meses. O senador, no entanto, disse que o ''recesso branco'' do Congresso até outubro não significa período de ''descanso'' para os parlamentares.
''Quando diz folga, dá a impressão que os senadores vão para a praia. Não tem nada de folga. Vão cumprir um dever cívico que é participar de uma eleição municipal, que é importante'', afirmou.
Garibaldi convocou reunião com os líderes partidários do Senado para hoje, quando vai apresentar a sua sugestão do cronograma de trabalhos até outubro. Os líderes também vão definir a pauta de votações nas semanas de ''esforço concentrado'' para evitar a paralisia total dos trabalhos.
A expectativa de Garibaldi é que os senadores definam somente matérias de consenso para entrarem na pauta da Casa Legislativa até outubro. ''Matéria polêmica é outra história porque aí sofre obstrução e precisa de debate'', afirmou.
O senador criticou, por exemplo, o fato de o Senado não ter fechado acordo para votar antes do recesso de julho o projeto que proíbe a candidatura de políticos com ''ficha suja'' na Justiça.
''O Congresso deveria ter votado a proposta, mas não houve tempo e nem houve acordo'', disse. Garibaldi não definiu ainda se o projeto vai ser incluído na pauta de votações até outubro, mas a expectativa é que o tema seja adiado diante da falta de consenso entre os parlamentares.
A pauta do Senado está trancada por três medidas provisórias, enquanto na Câmara, outras quatro MPs estão com prazo de votação vencido.
Câmara
Na Câmara, a oposição não está disposta a fechar acordo para destrancar a pauta de votações. DEM e PSDB ficaram irritados com a edição de medida provisória pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na semana passada, que concede status de ministério à Secretaria da Pesca. O texto também cria 295 cargos comissionados na administração federal.
O líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP), disse que a MP ''prejudicou o ambiente político'' na Casa para a retomada dos trabalhos.

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