Brasília - O senador Pedro Simon (PMDB-RS) derrubou ontem a tese dos aliados de Renan Calheiros (PMDB-AL) - de que atacar o senador é o mesmo que investir contra a instituição - ao pedir em plenário que ele renuncie à presidência do Senado. Para Simon, a permanência de Renan no cargo, além de desgastar a imagem da Casa, leva ele e os demais parlamentares a serem alvos de ''chacota'' e a enfrentarem a ameaça de cair no ridículo. ''Já vem uma série de posições que nos vêem como ridículos, que é o pior que pode acontecer, porque quando tu cais no ridículo, do ridículo tu não consegues sair'', alegou.
Para Simon, em vez de prevalecer o dito dos amigos de Renan, de que não podem deixá-lo sangrando por muito tempo e que, portanto, deveria ser inocentando, a situação mostra a ele e aos demais senadores que quem está sangrando é a instituição. ''Acho que não podemos deixar o Senado sangrando mais tempo'', frisou.
A intenção de Simon era a de fazer um discurso amanhã, após conhecer a perícia da Polícia Federal sobre os dados que comprovariam o rendimento de Renan nos últimos anos. Ele mudou de idéia e, refletindo a reação de que Renan deve, sim, ser investigado - que começa a crescer no Senado - terminou se manifestando em aparte ao discurso do senador Cristovam Buarque (PT-DF). ''Com todo carinho, com todo o respeito, entendendo a mágoa, o sentimento que o senador Renan deve está vivendo, eu lhe aconselharia (a renunciar), ele faria um gesto que marcaria sua posição se renunciasse ao mandato de presidente do Senado'', insistiu.
Buarque admitiu que ele e os demais senadores estão se omitindo diante da acusação contra o presidente da Casa, ao se limitarem à espera do julgamento do Conselho de Ética. ''Estamos escondendo isso ou jogando tudo para o conselho?'', perguntou.
Segundo ele, o pior lado da questão é o fato dele e seus colegas não conseguirem convencer a opinião pública de que estão agindo com o devido rigor. ''Nós estamos encabulados de discutir isso aqui, nós temos que discutir entre nós o assunto da grave crise que vive o Senado brasileiro e que não é culpa apenas, nem sobretudo, do presidente Renan Calheiros, é nosso o problema, é nossa responsabilidade debater com clareza aquilo que o povo quer saber'', defendeu.
Em aparte, o senador Jefferson Péres (PDT-AM), chamou Renan Calheiros de ''amigo'', mas foi claro ao endossar a posição de Simon, de que ele deve se afastar do cargo ''Quem entra na vida pública tem de esquecer o fígado e o coração, tem de usar a razão (porque) as instituições estão acima das pessoas.''
Em defesa de Renan, o senador Almeida Lima (PMDB-SE), disse que pedir seu afastamento da presidência pela suspeita de uma denuncia não confirmada ''aí, sim, é que é levar o Senado à bancarrota''. Segundo ele, os que defendem tal medida estão ''ratificando aquilo que a imprensa está produzindo, a serviço não sei ainda de quem'', alegou.

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