Brasília - Parlamentares favoráveis ao afastamento temporário do senador José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado leram ontem, no plenário da Casa, nota na qual pedem que o peemedebista se afaste temporariamente do cargo. A nota, assinada por 12 senadores, pede para Sarney sair a fim de que o Senado recupere a sua ''dignidade''.
''Consideramos e reafirmamos que, para iniciar a recuperação da dignidade do Senado, é preciso apuração com credibilidade de todas as denúncias contra a administração da Casa e o envolvimento de Vossa Excelência. O primeiro passo para isto é o afastamento de Vossa Excelência da presidência do Senado, durante os trabalhos de investigação na Comissão de Ética'', afirma a nota.
Sarney ouviu a leitura, feita pelo senador Cristovam Buarque (PDT-AP), sentado na cadeira de presidente da Casa. A nota afirma que somente o peemedebista poderá decidir sobre a necessidade de se afastar do cargo por alguns dias.
''Sabemos que a decisão deste afastamento é exclusiva de Vossa Excelência. Mas fica registrada aqui nossa sugestão de que faça um gesto histórico em defesa do Senado e de sua biografia pessoal, afastando-se da presidência do Senado durante o tempo necessário para a apuração dos fatos de denúncias contra Vossa Excelência'', encerram os senadores.
A nota é assinada por senadores da base aliada e da oposição, como Tião Viana (PT-AC), José Agripino Maia (DEM-RN), Flávio Arns (PT-PR), José Neri (PSOL-PA), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Sérgio Guerra (PSDB-PE).
Em resposta, Sarney apenas agradeceu Cristovam. ''Obrigada Vossa Excelência por sua isenção e pelo zelo que tem por minha biografia'', disse. Minutos antes, o peemedebista havia afirmado que tem espírito ''democrático, paciente e de tolerância''. Mas não se manifestou sobre um eventual pedido de licença temporária do cargo.
Logo após a leitura da nota, o parlamentar deixou o plenário acompanhado dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Fernando Collor de Mello (PTB-AL) - com quem ficou reunido em seu gabinete.

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