Senadores paranaenses partem para retaliação
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quinta-feira, 07 de junho de 2001
Maria Duarte De Curitiba 
Os senadores paranaenses Alvaro Dias e Osmar Dias, ambos do PSDB, decidiram reverter a situação e partiram ontem para o contra-ataque. Interlocutores próximos aos tucanos informavam, no início da noite, que a meta é destituir o presidente nacional do partido, o deputado José Anibal (SP), do cargo. O secretário-geral do PSDB no Paraná, Haroldo Ferreira, anunciou que vai entrar com uma ação na Justiça para anular a convenção que elegeu Anibal, realizada em maio passado.
A alegação é que teria havido tentativa de golpe contra os paranaenses. A lista de votação, com a chapa única que compõe o diretório nacional, foi alterada, afirmou. Seriam 16 mudanças entre os titulares e 59 entre os suplentes, que incluiriam os nomes do ex-senador José Richa e de Euclides Scalco. Segundo Ferreira, Osmar a Alvaro poderiam estar fora da lista. Vamos solicitar ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a lista original de votação, disse o secretário-geral. Richa e Scalco não são mais filiados ao PSDB. Scalco deixou o PSDB quando Alvaro entrou.
Anibal não gostou da retaliação dos irmãos Dias, que foram ameaçados de expulsão por terem se recusado a retirar as assinaturas da CPI da Corrupção (defendida pela oposição para investigar o governo FHC). Em entrevista à jornalista Lilian Wite Fibe, Anibal rebateu as acusações de Ferreira. Isso é provocação. Nem sei que lista é essa.
A cada declaração de Osmar, fica mais claro que ele está mesmo disposto a deixar o ninho tucano, embora, oficialmente, não confirme que está de saída. Osmar está insatisfeito com o tratamento recebido. Tem convites do PTB, PMDB, PT, PDT e PPS. Alvaro, presidente estadual da legenda, disse que não está disposto a deixar o partido. Os senadores tucanos afirmam que vão defender a permanência dele e do irmão. Alvaro e Osmar têm sido aconselhados a evitar confrontos com Anibal até a reunião da executiva, marcada para a próxima terça-feira.
Com apoio velado do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), José Anibal e o líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (AM), decidiram enfrentar a bancada no Senado, contrária à expulsão dos irmãos Dias do partido, e reafirmaram ontem a decisão de punir os dois parlamentares.
Os deputados estaduais suspeitam que o processo de afastamento dos tucanos seja uma articulação capitaneada nos bastidores por Richa e Scalco, e pelo prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). O objetivo seria tomar o partido e viabilizar uma candidatura à sucessão de Jaime Lerner (PFL), mantendo o grupo no poder.
Richa saiu do PSDB em 97, quando o diretório se recusou a aceitar o ingresso de Jaime Lerner. Richa e Scalco negam que tenham planos de retornar à cena política mas, nos bastidores, estariam articulando, entre outras possibilidades, a candidatura do vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa (PTB), filho de José Richa. No PTB, Beto Richa não teria chances de emplacar candidatura ao governo do Estado. Chegou a ensaiar uma filiação ao PSB. Scalco disse, por meio de nota oficial, que não quer disputar o governo do Estado. José Richa negou articulação para tomar PSDB. Disse que apóia a postura de José Anibal, porque é a favor da disciplina partidária. (Com Agência Estado)


