Senadores paranaenses apoiam Tião Viana
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domingo, 01 de fevereiro de 2009
Karla Losse Mendes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os três senadores paranaenses declararam que votarão em Tião Viana (PT-AC) para presidir o Senado nos próximos dois anos. A eleição para a Mesa da Casa será realizada amanhã. Por enquanto, a disputa ocorre entre o candidato petista e o ex-presidente José Sarney, senador pelo PMDB do Amapá, candidatura considerada inesperada pelos senadores.
O senador Osmar Dias (PDT), foi um dos que receberam com surpresa a candidatura de Sarney, uma vez que o próprio senador teria garantido a ele que não participaria da disputa. Com a candidatura, a bancada do partido que havia decidido apoiar Tião Viana desde o final do ano passado, precisou fazer ontem uma nova reunião para discutir o assunto, mas acabou mantendo a posição de apoio ao petista.
Osmar afirmou que vê com reservas a possibilidade do PMDB assumir a presidência das duas Casas do Congresso - uma vez que o partido também tem dois candidatos na disputa pela presidência da Câmara Federal. ''Creio que essa concentração de poder não é saudável e é contrária à tradição das Casas'', afirmou.
Para ele, a disputa entre o PT e o PMDB, que fazem parte da base de apoio do governo, não representa uma ruptura entre os partidos. ''É preciso não confundir as eleições no Congresso com a disputa de 2010. O congresso é um poder independente e quem votar na eleição da Casa pensando em 2010 estará menosprezando a importância do Congresso'', afirmou.
O senador Flávio Arns (PT) afirmou que irá votar em seu correligionário. De acordo com o senador já haveria, durante as discussões sobre a sucessão realizadas no ano passado, um consenso entre os partidos de que não seria interessante que um único partido, o PMDB no caso, presidisse simultaneamente as duas Casas, argumento que ele considera válido. ''Não é bom para a democracia que a Câmara e o Senado sejam presididos pelo mesmo partido'', declarou.
Arns acredita que o novo presidente do Senado deve procurar a recuperação da imagem da Casa e a independência do legislativo, bandeiras que, segundo ele, seriam levantadas por Viana. ''Eu acho uma pena, uma vez que ele (José Sarney) já foi presidente da república, governador, presidente do Senado e nós precisamos particularmente neste momento de uma oxigenação, de novas idéias e novas lideranças. Apesar de todo o respeito que se possa ter pela trajetória de Sarney, acredito que a candidatura de Tião Viana possa representar essa mudança'', afirmou.
No entanto, para o petista, há nitidamente uma influência da disputa eleitoral de 2010 na escolha que os senadores farão neste momento. Ele explica que, embora em sua opinião não devesse ocorrer desta forma, o presidente da Casa pode favorecer aliados políticos com certas iniciativas, como a concessão de relatorias. ''Algumas dessas ações permitem que as pessoas possam ficar em destaque, o que favorece a disputa eleitoral'', disse.
Já o senador Alvaro Dias (PSDB) lamentou a ausência de um candidato de oposição, mas confirmou que irá seguir a orientação do partido e votará em Tião Viana. Ele explica que apesar de seu partido e o do candidato seguirem em sentidos opostos nas eleições de 2010, a bancada considerou Tiana como a melhor opção para a Casa.
O tucano destacou também que a candidatura representa uma ruptura entre os partidos da base do governo pela primeira vez. O senador afirmou, no entanto, que nenhuma delas representa o ideal de independência e afirmação política da Casa. Dias disse também que não consideraria estranho se o PMDB assumisse a presidência dos dois entes do legislativo. ''É legítimo que ocupe esse espaço se for esse o resultado das urnas'', defendeu.
Para ser eleito presidente do Senado, o candidato deverá conquistar o apoio da maioria simples dos senadores presentes, respeitando-se o mínimo de 41 parlamentares como está definido no Regimento Interno da Casa. As eleições irão ocorrer em quatro votações. A primeira se destina a eleger o presidente, a segunda define os vice-presidentes, a terceira os secretários e a última determina os suplentes para os cargos.
De acordo com a Agência de Notícias do Senado, a disputa deve ser acirrada uma vez que o senador Tião Viana já recebeu o apoio formal de seu partido, o PT, além do PSB, PR, PSOL, PRB e PSDB. Já José Sarney conta com os votos de seus correligionários, a maior bancada da Casa, somado ao respaldo declarado pelo DEM e PTB.


