Senadores já se apresentam para ocupar presidência do Senado
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quarta-feira, 01 de julho de 2009
Eugênia Lopes, ChristianeSamarco e Denise Madueño<br>Agência Estado 
Brasília - Diante da perspectiva de o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), renunciar ao cargo, os candidatos a sua sucessão começaram a se movimentar. Um dos nomes mais cotados era o do senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) que, há dois anos, também assumiu a presidência do Senado, depois da renúncia de Renan Calheiros (PMDB-AL) ao cargo. Na terça-feira, Garibaldi foi um dos três senadores do PMDB que defendeu publicamente que Sarney se licencie do comando da Casa. Ao mesmo tempo, mas com pouquíssimas chances, o DEM trabalha para viabilizar o nome de Marco Maciel (DEM-PE) à presidência do Senado.
Com a eventual saída de Sarney, a tendência é que o comando da Casa permaneça nas mãos do PMDB. Terá de haver uma nova eleição para escolha de um novo presidente. A avaliação entre os peemedebistas é a de que não há nomes viáveis e de consenso na bancada de 19 senadores em condições de suceder Sarney, sem entrar em confronto com o Palácio do Planalto. As pretensões de Garibaldi de vir novamente a ocupar a presidência do Senado só se tornarão realidade em uma negociação de consenso entre todos os partidos. Afinal, lembram interlocutores de Sarney, a Constituição proíbe a reeleição de presidentes do Congresso na mesma legislatura. Garibaldi comandou o Senado entre dezembro de 2007 e fevereiro de 2009 e, por isso, não pode concorrer à reeleição no início deste ano. Agora, mesmo com a eleição de Sarney em fevereiro último, Garibaldi não poderia disputar uma novamente a cadeira de presidente do Senado porque está na mesma legislatura. ''Não tem nenhuma vaga desocupada, não tem porque se falar nisso'', desconversou hoje Garibaldi sobre sua eventual candidatura à sucessão de Sarney.
Sem nomes de peso no PMDB para substituir Sarney, o DEM trabalha para tentar emplacar o senador Marco Maciel (PE). Ex-vice presidente da República, católico praticante e na vida pública há mais de quatro décadas, Maciel é tido como um ''magistrado'' capaz de administrar os ânimos exaltados do Senado. Mas apesar das qualidades elencadas até mesmo por seus adversários, o nome de Maciel dificilmente tem chances de emplacar: o PMDB jamais vai perdoar a ''traição'' do DEM, que decidiu pedir o afastamento de Sarney da presidência do Senado.
Ao mesmo tempo em que a corrida à sucessão de Sarney foi deslanchada, o PMDB deu sinais de que está preparado para entrar em guerra com a oposição. O primeiro alvo dos peemedebistas deverá ser o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio Neto (AM). O PMDB estuda fazer uma representação no Conselho de Ética do Senado contra o tucano por falta de decoro parlamentar. Em discurso na tribuna do Senado, Virgílio admitiu ter pego emprestado 3,3 mil euros para pagar despesas de viagem ao exterior com o ex-diretor do Senado Agaciel Maia. Confirmou ainda que continuou a pagar o salário de um servidor de seu gabinete enquanto ele fazia mestrado em Barcelona.
Ciente da estratégia do PMDB de tentar levá-lo ao Conselho de Ética, Virgílio subiu ontem à tribuna do Senado para avisar que venderá imóveis da família para ressarcir os cofres públicos dos salários pagos por mais de um ano a ex-servidor de seu gabinete, liberado pelo tucano para estudar no exterior e continuar recebendo do Senado. ''Fui líder do governo Fernando Henrique, ministro do governo Fernando Henrique. Mandava na Petrobras, mandava nos outros ministros. Só não fiquei rico porque não quis'', disse Virgílio. Ele também pediu a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal de Agaciel Maia.


