Senadores insistem na desimcom- patibilização
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quinta-feira, 05 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
A articulação dos senadores candidatos em 1998, inconformados com as novas regras que permitem aos governadores disputarem a reeleição sem deixar o cargo, pode pôr fim ao segundo turno nos Estados. Com o apoio de 50 senadores, Júlio Campos (PFL-MT) apresentou ontem ao Senado emenda que acaba com o segundo turno nas eleições de governadores.
Ao mesmo tempo em que Campos apresentou sua emenda, o senador Freitas Neto (PFL-PI) entregou uma consulta ao Supremo Tribunal Federal (STF), para saber se a Lei Complementar 64, de 1990, está valendo. A lei estabelece a licença compulsória de seis meses para governadores e de quatro meses para os prefeitos candidatos. Os ministros do TSE deverão examinar em breve a consulta de Freitas Neto.
Não vamos aceitar ser garfados numa eleição, protestou o senador Júlio Campos, um dos 30 candidatos do Senado. O objetivo da articulação da qual participa, ao lado dos líderes do PMDB e do PFL, é o de garantir a obrigatoriedade da licença dos governadores durante a campanha eleitoral. Tanto que o líder do PMDB, Jáder Barbalho (PA), e o senador Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB) querem apresentar um novo projeto de lei complementar com a desincompatibilização, para o caso de o Supremo negar a validade da lei 64.
A dificuldade será reunir os 41 votos necessários para aprovar a proposta. É que Jáder insiste na desincompatibilização para todos os candidatos à reeleição, incluindo aí o presidente Fernando Henrique Cardoso. Uma matéria polêmica como essa só passaria com interferência grande do governo e o Palácio do Planalto não moverá uma palha para mexer em nada que se refere à reeleição, aposta o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE), candidato ao governo cearense.
É na dúvida do sucesso dessa estratégia que Campos tenta escapar do segundo turno em Mato Grosso, sob o argumento de que, com a máquina administrativa nas mãos, os governadores são imbatíveis na segunda rodada da disputa. Se o Orestes Quércia quebrou o Banespa para eleger Fleury Filho seu sucessor no governo paulista, para se reeleger ele quebraria cinco bancos, provocou Campos.


