Senadores do PR atribuem resultado ao PT
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quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Os três senadores que representam o Paraná no Congresso Nacional atribuíram ontem ao governo federal e ao PT o resultado da votação que livrou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), da cassação por quebra de decoro parlamentar. Investigado pelo Conselho de Ética ante a denúncia de que pagou despesas pessoais com verba de uma empreiteira, Renan foi absolvido anteontem, na votação secreta que lhe garantiu 40 votos favoráveis, 35 contrários e seis abstenções.
Dizendo-se todos votos favoráveis à cassação, os senadores Álvaro Dias (PSDB), Flávio Arns (PT) e Osmar Dias (PDT) defenderam que o peemedebista deixe o posto. As críticas mais contundentes à absolvição, contudo, partiram do petista - e justamente ao próprio partido: ''Achava que a maioria nossa votaria contra o presidente, mas tenho convicção de que isso não aconteceu. Pelo contrário: o PT trabalhou a favor da não cassação, isso eu mesmo presenciei'', disse.
Na avaliação de Arns, o partido que içou a poder um ex-sindicalista ''trabalhou por interesses menores e se esqueceu do maior, que é a construção de ética''. ''Antes de assumir o comando do País, o partido iria na garganta dessas pessoas; agora, não convém mais. Para a sociedade, é um exemplo muito ruim: faz uma coisa antes de chegar ao poder, e outra, completamente diferente, quando teria a chance de mudar a realidade. É aquele ditado: para conhecer alguém, lhe dê poder.''
O petista considerou que a votação ''abala a credibilidade'' da instituição, mas disse acreditar que as outras três representações que pesam contra Renan, na Casa, não perderão fôlego. ''Mas tem que mudar a sessão secreta. Isso é um absurdo que abala qualquer princípio de transparência, e o eleitor tem que saber como seu eleito se comporta'', defendeu.
Para o tucano, que se definiu pró-cassação, o resultado foi ''um desastre''. ''Leva a imagem do Senado ao fundo do poço. É até provável que um ou outro voto partiram da oposição, mas o peso maior foi do PT.''
Questionado se o placar pode influenciar nem eventuais processos futuros, Álvaro admitiu que sim. ''Não há dúvida. Nem temos o direito de gerar uma falsa expectativa, o que não significa que não devamos tentar'', afirmou. ''Mas, com o presidente da Casa, o PSDB e outros partidos não dicustem mais projetos. Ele tem que se afastar.''
Osmar, por sua vez, declarou que o voto pró-cassação foi de toda a bancada do PDT. Ele rebateu que a absolvição tenha desgastado o Senado. ''Abstenção é um voto muito estranho. E tem gente que falou uma coisa à imprensa, e fez outra. Mas creio que essa posição prejudica essas pessoas - não se pode generalizar.''


