Senadores do Paraná criticam escolha de PGR
Para parlamentares, ao ignorar nomes da lista tríplice, Bolsonaro rompe tradição do processo e autonomia do órgão
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 09 de setembro de 2019
Para parlamentares, ao ignorar nomes da lista tríplice, Bolsonaro rompe tradição do processo e autonomia do órgão
Mariana Franco Ramos - Grupo Folha 

Curitiba - Senadores do Paraná criticaram a escolha de Augusto Aras, fora da tradicional lista tríplice, para o comando da PGR (Procuradoria-Geral da República). O nome do advogado, anunciado na quinta-feira (5) pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), precisa justamente do aval do Senado para ser confirmado.
São necessários os votos de ao menos 14 membros da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e, depois, de 41 dos 81 senadores, em plenário. A mensagem presidencial com a indicação deve começar a tramitar na Casa na semana que vem. Desde 2003, todos os cinco procuradores-gerais escolhidos estavam na lista da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República).
"Ao desconsiderar a lista tríplice da Procuradoria Geral da República, o presidente rompe com uma tradição e ignora o processo de discussão que envolveu o conjunto dos procuradores do Ministério Público Federal. Embora a indicação seja uma prerrogativa do Chefe do Executivo, a lista se tornou um instrumento valioso e que contribuiu para a autonomia e para o avanço desta que é uma instituição da mais alta relevância para o nosso país", opina Flavio Arns (Rede).
A assessoria de imprensa de Alvaro Dias (Podemos) informou que ele está fora do país, "incomunicável", e que só retorna de viagem na semana que vem. O senador participa do Brazil America Summit, em Orlando, nos Estados Unidos. Em sua conta no Twitter, porém, o político do Podemos compartilhou post do procurador Deltan Dallagnol, reprovando a indicação.
"A força-tarefa Lava Jato no PR sempre defendeu a lista tríplice, por favorecer a escolha de um PGR testado e aprovado em sua história e seus planos, assim como a independência do Ministério Público. Nós nos unimos à ANPR no debate pelo melhor para o país e a causa anticorrupção", escreveu Dallagnol. Dias fez uma enquete na rede social sobre o assunto.
A reportagem também tentou contato com Oriovisto Guimarães (Podemos). Segundo a assessoria do senador, ele não gostou da indicação e ainda tenta entender a nomeação de alguém fora da lista tríplice. O político, contudo, estava em outra agenda e não retornou até o fechamento desta edição.

Aprovação necessita dos votos de ao menos 14 membros da CCJ e, depois, de 41 dos 81 senadores, em plenário


