Senadores devem absolver Renan Calheiros
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sábado, 23 de junho de 2007
Ana Paula Scinocca, Christiane Samarco e Luciana Nunes Leal<br>Agência Estado 
Brasília - Se o processo de cassação de mandato do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), fosse levado à decisão do plenário hoje, ele seria absolvido pela ampla maioria dos colegas. Enquete realizada pelo Grupo Estado com 54 dos 81 senadores, ou dois terços do total, mostra que 24 (44,4%) votariam pela absolvição de Renan. Apenas 5 senadores (9,2%) optariam pela cassação de seu mandato. Responderam que preferem aguardar o aprofundamento das investigações 23 senadores (42,6%), mas grande parte deles demonstrou tendência de, no momento, absolver o presidente do Senado. Dois senadores (3,7%) não quiseram responder. Para ele perder o mandato, é preciso que pelo menos 41 senadores (maioria absoluta) votem pela cassação.
Renan é investigado no Conselho de Ética do Senado desde o dia 6 de junho pela suspeita de ter pago despesas pessoais - como pensão e aluguel para a jornalista Mônica Veloso, com quem teve uma relação extraconjugal que lhe deu uma filha - com recursos de Cláudio Gontijo, lobista da empreiteira Mendes Júnior em Brasília.
Nestas duas semanas, o processo contra ele já teve dois relatores e foi marcado por conflitos e indecisões dentro do conselho. Os defensores do presidente do Senado não conseguiram arquivar o caso e, agora, a nova tática é pela prorrogação das investigações até que o assunto perca importância no noticiário. Se o conselho optar pelo arquivamento, o processo nem será levado ao plenário do Senado.
A maior parte dos senadores ouvidos na enquete concordou em responder com a condição de que seus votos não fossem revelados. A pesquisa mostrou que o presidente do Senado não teria a seu favor apenas votos de governistas, mas também de parlamentares do DEM e do PSDB. Revelou ainda que o voto secreto ajudaria Renan. Mas há divergências.
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) avalia que a aposta no voto secreto pode ser ''o último e o mais grave erro desse processo cheio de erros''. Ele avalia que a estratégia de levar o caso ao plenário confiando na tese de que o voto secreto favorece Renan pode surtir efeito contrário. ''O que mais dificulta e pesa é votar contra o amigo e não contra a opinião pública. Nesse caso, o constrangimento dos senadores em votar contra Renan é muito maior no voto aberto'', raciocina.
Integrante da ala oposicionista do PMDB, o senador e ex-governador de Pernambuco Jarbas Vasconcelos defende a tese de que o companheiro de partido se afaste da presidência da Casa até o fim do processo. ''Ele deveria ter se afastado desde o início, com essa acusação que pesa contra ele. Achou que, com a defesa, mataria o assunto, mas não conseguiu'', disse Jarbas na última sexta-feira. Na semana passada eles pediram, do plenário do Senado, o afastamento de Renan do comando da Casa até que as investigações sejam concluídas. Ele já avisou, contudo, que não pretende ''arredar o pé'' do cargo.


