Brasília - Senadores da oposição criticaram ontem a aprovação do que chamaram de ''trem da alegria'' do Judiciário - uma série de projetos votados durante a madrugada de ontem que criam 1.138 cargos comissionados (sem concurso) em tribunais.
No momento da votação, apenas 12 dos 81 senadores estavam presentes no plenário da Casa. Apesar das críticas, a oposição reconhece que não se mobilizou para derrubar os projetos.
Poucos parlamentares da oposição acompanharam a votação no plenário, mas entre eles estava o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). O tucano defendeu a criação dos cargos ao afirmar que seria uma ''injustiça'' limitar a atuação dos tribunais porque há necessidade de ''reforços'' no quadro dos servidores.
Diante do baixo quórum de senadores, a votação foi apenas simbólica (sem o registro nominal de cada senador). ''É um trem da alegria de luxo, o governo está criando cargos exageradamente. Mas não há como não responsabilizar a oposição, não por aprovar, ela é minoritária e não teria número para rejeitar. Mas ela poderia resistir mais para dificultar a aprovação pelo governo'', disse o vice-líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR).
O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) explicou que, no início da sessão, a oposição tentou paralisar as votações em protesto ao excesso de medidas provisórias editadas pelo Poder Executivo. Como o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), se comprometeu em nos próximos 45 dias não ler as MPs que chegarem à Casa para que a pauta de votações fique destrancada, a oposição decidiu votar as matérias em pauta -especialmente porque havia projetos com a liberação de empréstimos para uma série de Estados.
Ao final da votação dos empréstimos, Garibaldi colocou em pauta os projetos com a criação dos cargos nos tribunais.
''O governo usa o seu poder nefasto para fazer acordos. Se estamos aqui para defender interesses dos Estados, não podemos obstruir a sessão porque deixaríamos de levar benefícios para os diversos Estados'', justificou Flexa Ribeiro.
O senador disse ainda que, diante do ''horário avançado'' das votações, a oposição acabou desmobilizada. ''O governo usa desse artifício de esforço concentrado para levar a sessão até uma hora, duas da manhã. Quando a oposição é vencida, passa o rolo compressor do governo.''
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) admitiu que diante do ''cansaço'', os parlamentares acabam não refletindo profundamente sobre as matérias em pauta. ''Os senadores começam a chegar no limite do seu estado físico. A sessão terminou no dia de hoje. Sempre que há situações como essa, acontece de não se examinar as matérias com profundidade'', afirmou.
O líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO), criticou a criação de cargos comissionados em ano eleitoral. ''Eu achava que nesse momento de eleição não poderia se aprovar nada envolvendo funcionalismo. O Judiciário não disputa eleição, mas em outras áreas é até proibido. No município, no momento de eleição para aquela entidade da federação, é proibido se criar cargos ou dar aumento salarial'', afirmou.

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