Senadores crêem em derrota do governo para aprovar a CPMF
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terça-feira, 20 de novembro de 2007
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Apesar de reconhecerem a força de negociação do governo federal para arrebanhar votos favoráveis, os senadores Álvaro Dias (PSDB) e Kátia Abreu (DEM-TO), relatora da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 89/2007, que trata da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011, acreditam que a proposta não conseguirá a aprovação dos senadores.
A senadora de Tocantins e os senadores paranaenses Álvaro e Osmar Dias (PDT) participaram, ontem de manhã, de conversa, na sede da Associação Comercial do Paraná (ACP), onde expuseram suas posições e perspectivas da CPMF no Senado a empresários paranaenses. Os três reafirmaram posição contrária à prorrogação do imposto, também conhecido como imposto do cheque, mesmos após as mudanças acenadas pelo governo.
Até Osmar Dias, cujo partido, fechou questão favorável à prorrogação, não descarta a hipótese de votar contra a CPMF, mesmo correndo o risco de ser expulso da sigla. Osmar defendeu que o fim da CPMF deve estar vinculado a uma proposta de reforma tributária, que garanta recursos para a área da saúde. ''Tem que ter a garantia de uma reforma tributária, porque não adianta cortar a CPMF e o governo aumentar o imposto de outro lado.''
De acordo com ele, três dos cinco senadores do PDT, Jefferson Péres (AM), Cristovão Buarque (DF) e ele defendem essa posição. ''Queremos discutir com seriedade o assunto. Não propomos nenhuma barganha com o governo. O que não aceitamos é simplesmente o partido fechar questão de cima para baixo e os senadores, que têm o voto, ficarem se expondo perante a sociedade.''
O senador Álvaro Dias, por sua vez, lembrou um ''componente novo'' que pode refletir na aprovação ou não da CPMF. ''A proposta é uma barganha. O PT salva o Renan Calheiros e o PMDB salva a CPMF'', disse ele que ainda assim se disse ''otimista'' com o fim do imposto. ''A rejeição da CPMF pode ser um fato histórico, não só como demonstração de que o governo não tem toda a força política de que se diz possuidor e, portanto, a tese do terceiro mandato começa a fracassar já no seu start. Também teremos uma mudança de governo em relação à gestão pública, com a necessidade de reduzir gastos e aprovar uma reforma tributária'', afirmou.
''Não acredito que o Senado vá fazer barganha de uma questão pessoal do senador Renan Calheiros em troca de 190 milhões de brasileiros. Acho que o Senado jamais cometeria uma injustiça e uma aberração dessas'', completou a senadora, que teve seu parecer contrário à prorrogação da CPMF rejeitado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A expectativa é que a PEC vá à votação na primeira semana de dezembro.


